Delson Uchôa | Galeria Luis Maluf

A Galeria Luis Maluf encerra o calendário expositivo de 2025 com Boca de Sol, mostra que marca a co-representação de Delson Uchôa. Com abertura em 15 de novembro, a maior individual do artista realizada em uma galeria no Brasil,  apresenta uma retrospectiva que se inicia nos anos 1980 até a atualidade, reunindo em um conjunto de 29 obras em grande escala. Com texto curatorial de Ariana Nuala, a exposição reafirma a pintura como um corpo vivo, luminoso e em constante transformação — um campo onde cor, gesto e tempo se fundem em matéria contínua.

Nascido em Maceió e profundamente ligado à paisagem cultural alagoana em sua produção, o artista explora a cor como substância vital e a luz como força que organiza o espaço. Entre geometria e gesto, cálculo e intensidade, as superfícies de Uchôa parecem em combustão, revelando como o artista transforma o legado modernista em energia própria. As obras, feitas em camadas de pigmentos e resinas aplicadas em momentos diferentes — de trabalhos iniciados nos anos 1980 a intervenções recentes —, mostram um processo contínuo em que cada pintura se renova, acumulando tempo, memória e matéria.

Em Boca de Sol, a pintura é entendida como organismo luminoso. Entre o rigor da forma e o impulso do gesto, Delson Uchôa fabrica superfícies em estado de combustão, nas quais a luz se torna matéria e o espaço se comporta como um campo energético. A exposição investiga o fenômeno da “solarização” em sua obra, os pontos de incidência e de declínio da luz, momento em que a cor alcança sua intensidade máxima e, ao mesmo tempo, começa a se transformar em outra coisa.

Essa lógica de mutação atravessa toda a trajetória do artista. Sua prática é menos linear do que metabólica: cada obra respira, recebe enxertos e cicatrizes,  se abrindo a novos estados de cor e luz. Como um corpo em regeneração, cada pintura preserva as marcas do tempo e da matéria, funcionando como um arquivo vivo de sua própria história.

Sobre sua inspiração para a  produção, o artista afirma: “Vivo e trabalho em Maceió, no cinto luminoso do planeta, a 9º de latitude, onde a temperatura luminosa se eleva à estridência cultural do meu entorno — o Nordeste do Brasil — com suas tradições de produção artesanal e popular brasileira. A inspiração no fazer manual e criativo das rendeiras do Rio São Francisco atravessa meu trabalho, assim como toda a matéria e a trama de fibras naturais próprias da geografia nordestina.”

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