Decategorized – Artists From Brazil – ArtNexus

Rosana Palazyan - Aqui é mais do que o vírus (Here Is More Than the Virus), 2020

Desde civilizações antigas, categorizações têm sido usadas para organizar o conhecimento. Embora seja verdade que agrupar artistas e obras sob denominações específicas tem sido uma alternativa prática para este fim, em muitos casos e, em particular, quando se trata de arte contemporânea, esse processo, que geralmente responde a uma visão eurocêntrica, está totalmente defasado. Hoje, acadêmicos e críticos sugerem novas abordagens que removem categorias impostas. Adriano Pedrosa, curador e atual diretor do Museu de Arte de São Paulo (MASP), sugere, por exemplo, uma postura anti-territorial e antinacional pela qual acaba com os limites das fronteiras e demarcações. Na publicação ArtNexus Brasil na Colômbia (2011), uma compilação de artigos, Pedrosa trabalhou com uma demarcação territorial brasileira não convencional, ampliando o espectro para incluir vários artistas não brasileiros. Esse projeto editorial e essa nova exposição correspondem aos interesses que as manifestações artísticas brasileiras inspiram há mais de quarenta anos.

A mostra Decategorized – Artists From Brazil se apresenta como resposta à atitude hegemonista que impelou categorias predeterminadas a vincular uma produção artística concreta a movimentos ou tendências. Ao “descategorizar”, o objetivo é liberar a produção dos artistas selecionados e vê-la com o prisma da individualidade. Conceitualmente, a exposição questiona e desafia categorizações. Em vez de criar um terreno comum baseado em um estilo ou territorialidade, apresenta artistas que se destacam por sua singularidade. Isso não significa que eles existam no vácuo. Pelo contrário, cada um enriquece seu trabalho estabelecendo diálogos com antecessores e contemporâneos e reconhecendo que eles são influenciados por contextos que podem ou não compartilhar, como circunstâncias históricas, políticas, sociais ou culturais.

Vanderlei Lopes – Catedral (Cathedral), 2010-2011

A seleção inclui artistas de diferentes gerações que ilustram a ampla gama de talentos artísticos no Brasil: Regina Silveira (1939), Iole de Freitas (1945), Carmela Gross (1946), Cildo Meireles (1948), José de Souza Oliveira Filho (Macaparana) (1952), Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (Tunga) (1952-2016), Daniel Senise (1955), José Leonilson Bezerra Dias (Leonilson) (1957- 1993), Artur Lescher (1962), Rosana Palazyan (1963) , Sandra Cinto (1968), Laura Lima (1971), Vanderlei Lopes (1973), Túlio Pinto (1974), Paulo Nazareth (1977), André Komatsu (1978).), Ana Mazzei (1979), Carla Chaim (1983), Daniel Jablonski (1985), Vivian Caccuri (1986) e Felipe Seixas (1989). Cada um se destaca por fazer uma produção artística individual que ofereça novas contribuições. Desde a definição do conceito da obra até a explicação das possibilidades de uso da mídia tradicional e não tradicional, até a eliminação das fronteiras entre disciplinas como arte, arquitetura, música, dança e cultura popular, cada uma delas apresenta uma proposta única que libera e enriquece através da criatividade.

Vivian Caccuri – Pagode Kaiapó (Kaiapo Pagoda), 2019

Vários deles compartilham interesse no significado e uso do espaço, particularmente no ambiente urbano, e alguns exploram as possibilidades do mundo virtual. Da mesma forma, a maioria está comprometida com o presente sociopolítico por meio de obras que tenham um significado ideológico. Temas como imigração, tensão racial, globalização, colonialismo e seus efeitos na produção e consumo de arte inspiram muitas obras incluídas na exposição. Historicamente, esses artistas têm respondido ativamente aos seus contextos, sendo o clima político hostil da ditadura militar brasileira na década de 1970, da AIDS na década de 1990 e do COVID em 2020. A chave é que o específico se torna universal: obras criadas para responder a determinados eventos e situações evocam temas que transcendem temporalidades e limites.

Um fator-chave é o papel que o público desempenha na conceituação da obra. Independentemente do meio e do escopo, em vez de fornecer obras de arte para a mera contemplação, estimulam a participação do público como Helio Oiticica (1937-1980) e Lygia Clark (1920-1988) fizeram há algumas décadas. Os artistas incluídos neste desafio expositivo, em muitos casos, quebram os limites das noções fundamentais do que a arte pode ser, e precisamente por isso, escapam de qualquer possibilidade de categorização.

Carmela Gross – Uma Casa (A House), 2006

Compartilhar: