DANIELA MARTON | PINACOTECA UFV

A Pinacoteca da Universidade Federal de Viçosa apresenta a exposição A Cor da Dor, da artista Daniela Marton. A exposição apresenta, por meio de uma série de pinturas, a realidade de quem vive com uma doença crônica porém sem direcioná-la para uma ideia de um mundo pronto, estável e estático, já que a realidade verdadeira se dissolve diante da incerteza da vida, principalmente quando se tem uma doença como a Disfunção Temporomandibular (DTM). Todo esse processo de sentimentos distintos, ora dor e angústia, ora a calmaria, que são intercalados pelo uso das cores, ora mais vibrantes e vivas mostrando a esperança de dias melhores da artista, ora mais escuras e austeras ocasionado quando a artista está imersa numa melancolia e desespero causados pelo agravamento da dor. O resultado do processo artístico apresenta imagens distorcidas e disformes que abrigam uma realidade surreal na qual estão inebriadas por esse processo de convivência com a dor e com a incerteza diante do futuro. Dessa forma, as imagens passam a ser cores que escorrem e explodem no espaço pictórico, direcionando o olhar do observador para fora das limitações físicas do quadro, como se a pintura tomasse uma dimensão espacial. Além disso, ocorre na pintura uma sobreposição de manchas indefinidas de cores e texturas diversas, ora criando superfícies mais planas, ora criando uma pintura mais matérica e densa onde as texturas são mais evidentes com camadas mais espessas de tinta, que por vezes se sobrepõem com o intuito de criar justaposição do figurativo e do abstrato, desconstruindo a relação figura e fundo, processo muito parecido com a dor que desconstrói e limita.
Em virtude disso, o uso das cores nas pinturas da artista, em alguns momentos, continua sendo proveniente ou das dores físicas, ou relacionado ao aspecto da memória afetiva. Os títulos das obras são voltados para o aspecto dos sentimentos da artista no momento da feitura da pinturaartes, ora fazendo a alusão ao seu estado de saúde, ora remetendo as suas memórias afetivas.
Texto curatorial Daniela Marton.

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