Nara Roesler tem o prazer de convidar para abertura, no dia 21 de agosto de 2025, às 18h, da exposição “Daniel Senise – Vivo confortavelmente no museu”, com obras inéditas e recentes do destacado artista, presente em prestigiosas coleções, como Stedelijk Museum Amsterdam; Cisneros Fontanals Art Foundation, Miami, Estados Unidos; Ludwig Museum, Colônia, Alemanha; Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC-Niterói); e Museu de Arte de São Paulo (MASP). Um dos expoentes da chamada Geração 80, Daniel Senise é ativo no circuito da arte há quarenta anos, tanto no Brasil como no exterior, tendo participado das 18ª, 20ª, 24ª e 29ª edições da Bienal de São Paulo, Brasil (1985, 1989, 1998 e 2010); 44ª Biennale di Venezia, Itália (1990); 2ª Bienal de La Habana, Cuba (1986); 11ª Bienal de Cuenca, Equador (2011), entre outras importantes exposições coletivas.
O percurso da exposição começa com uma obra da série de trabalhos de museus que Daniel Senise vem fazendo: “Sem título (Raoul Dufy)”, 2025, com 1,25 metro por 2,30 metros, representando a sala curva do painel em homenagem à eletricidade de Raoul Dufy (1877–1953), no Museu de Arte da Cidade de Paris. Em frente está a obra “Sem título (MAM Rio)”, 2025, com dois metros de altura por 2,38 metros de comprimento. No mesmo piso estão duas telas “Sem título 3” (2025), com 1,23 metro por 78cm, e “Sem título 4” (2024), com 1,15 metro x 95 centímetros, em que as imagens provocadas são apresentadas sem uma contextualização de espaço. No segundo andar ocupa um lugar de destaque a obra “Sem título (Bourse de Commerce – Pinault Collection)”, 2024, com um metro de altura por 2,80 metros de comprimento onde uma captura de parede que o artista fez ocupa o lugar da pintura decorativa que representa cenas de comércio mundial, localizada na parte inferior da cúpula do prédio histórico em Paris.
O título “Vivo confortavelmente no museu” é uma frase dita por um personagem do livro “A invenção de Morel”, de Bioy Casares (1914-1999) – um condenado à prisão perpétua, que chega a uma ilha, e chama de museu a construção abandonada em que mora. O texto crítico que acompanha a mostra é de Luiz Armando Bagolin.
MUSEU DO FUTURO
Em seu texto, Luiz Armando Bagolin observa sobre os trabalhos de Daniel Senise que estarão na exposição: “Suas telas funcionam como painéis de um museu do futuro, no qual veremos não mais as imagens canônicas, mas as suas ausências: o que restou delas após o tempo, o descaso, o colapso do olhar. E, ainda assim, essa ausência é habitada. Porque o que se vê, nessas superfícies preparadas como um palco da desaparição, não é o vazio, mas a memória da imagem enquanto forma de sobrevivência – como se a arte, mesmo depois de apagada, ainda deixasse uma poeira de sentido suspensa no ar”.
“As obras recentes de Senise não se oferecem como enigmas a serem decifrados, mas como zonas de indeterminação onde a imagem já não se dá como presença plena, e sim como intervalo, ruído ou resíduo. Não há aqui um discurso fechado sobre o fim da pintura – há, antes, a sustentação poética de sua latência. O que se vê é o que ainda não chegou completamente a ser, mas que insiste em permanecer. Em tempos de saturação imagética, talvez seja esse o gesto mais radical: devolver à pintura o poder de ser lacuna, silêncio e espera”, afirma o crítico.
Daniel Senise diz que escolheu mostrar, de seu trabalho atual, sobretudo obras “que tenham a ideia de uma obra em um espaço museológico”. “Obras que representam espaços com obras na parede. Isso é o principal”, destaca.
A sala da Bourse de Commerce — Pinault Collection, em Paris, que abriga o monumental painel “O espírito da eletricidade” (1937), de Raoul Dufy (1877–1953), é reconstruída por Daniel Senise pelo seu processo meticuloso de colagens de pequenos panos com capturas de parede. A obra, com um metro de altura por 2,80 metros de comprimento, ocupará um lugar de destaque na exposição “Vivo confortavelmente no museu”, na Nara Roesler Rio de Janeiro.
“Então, lá (na Bourse de Commerce) e aqui tem uma grande pintura, não é? Eu tinha essa captura quase perdida. Faltavam muitos pedaços. Quando eu transfiro, algumas partes não vêm. E aqui ela ficou no lugar da pintura que está lá. Essas ‘janelinhas’ são panos. Cada uma é um pedaço de pano, colado cuidadosamente”, conta o artista. “Quando eu falo que é um espaço, você vê o espaço porque tem a profundidade, a superfície é muito presente por causa da textura, mas se você vê o espaço fica mais complexo. Este trabalho é a colagem dessas transferências de matéria para o pano que eu chamo de captura. Eu chamava de monotipia, mas não é. O trabalho tem uma transferência da matéria que estava na parede. É uma vez só”, diz.
“CADA TACO É UM PANO DIFERENTE”
O trabalho “Sem título” (2025) – monotipia de parede em tecido e pisos em tecido e médium acrílico sobre placa de alumínio, com 1,99 metro de altura por 1,33 metro de comprimento – é um dos exemplos da ideia de “obras em espaços”.
“É uma colagem com pedacinhos de pano. Cada taco é um pano diferente”, detalha o artista. “Eu tenho uma estrutura e estou agindo em cima dela”, diz Daniel Senise.
Dispondo no chão o tecido já trabalhado com a captura, o artista joga em cima materiais como tinta líquida, pó de ferro, betume, carvão.
A imagem abstrata, que ele chama de mancha, “tem uma moldura que está no espaço, é uma tela na parede”. “Na verdade, essa é uma construção do mesmo jeito das outras que eu faço, só que depois eu fico transferindo matéria para essa superfície, colando, descolando”. Ele comenta que as manchas estão presentes em trabalhos seus dos anos 1980 e 1990. “Só que está contextualizado em um espaço que é construído da forma que é. Isso é mais ou menos o que está na exposição”. As manchas ganharam um protagonismo fruto de seu próprio processo de vivência no ateliê.“Pegar o pincel e sair pintando não rola para mim. Não é exatamente isso o que eu faço”, explica.
O COMEÇO DO NOVO PROCESSO
Daniel Senise conta que o trabalho “Sem título 1” (2024) – monotipia de parede em tecido, médium acrílico, carvão e pó de ferro sobre placa de alumínio, com dois metros de altura por1,5 metro de comprimento – “liga o que eu estou fazendo nesses últimas duas décadas” com a produção atual. “Essa pinturinha é uma parede, uma casa, e veio na captura”, descreve. “Aqui são vários procedimentos, que eu vou misturando”. “Acho que tudo começou com ela”. “Estou usando muita captura de parede agora”.
LIVRO
Está sendo editado por Charles Cosac um robusto livro sobre a obra de Daniel Senise, com textos de Luiz Armando Bagolin e Paulo Miyada, com previsão de lançamento até o final do ano.

