Daniel Lannes | Galeria Kogan Amaro

Daniel Lannes já protagonizou elogiadas exposições em grandes museus do país, a exemplo de Midnight Paintings (2007) no Centro Cultural São Paulo (CCSP) e República (2011) no Museu de Arte do Rio de Janeiro (MAM-RJ). Desta vez, em cartaz na Galeria Kogan Amaro, o artista reúne até o fim deste mês obras que problematizam a masculinidade, com pinceladas densas e cheias de ironia. Com curadoria de Ricardo Resende, a exposição Estudei muito para não ser um cara sério, marca duas décadas de carreira do artista e sua chegada à galeria, que passa a representa-lo em São Paulo.

Como um cronista visual, Lannes promove, através de suas telas, cenas e encontros improváveis entre personagens de origens, tempos e universos distintos. “Como se o quadro fosse um palco, Daniel Lannes lança mão de pinceladas carregadas de teatralidade para dar forma a seus personagens nas situações mundanas da vida”, reflete o curador.

“Há tempos o artista fluminense tem atração pela pintura figurativa: quando visitava museus, na adolescência, gostava de se ver observado pelas figuras daquelas pinturas tradicionais – uma técnica milenar, já encontrada na arte do antigo Egito, de retratar os olhos das figuras de tal modo que, ao mudar de posição, o espectador se sente acompanhado por eles em todo e qualquer canto da sala expositiva”, afirma o curador.

O efeito, conhecido com olhar da Monalisa, pode ser visto em 17 Homens e Um Segredo ou Os Modernistas (2018), uma tela com grandes proporções na qual retratos masculinos estão sobrepostos como um quebra-cabeças.

“Eu comecei a apreciar mais qualidades da pintura abstrata, e com isso fui cada vez mais me distanciando daquele realismo clínico, cirúrgico, onde não há espaço para o acidente. E quando isso acontece, eu acho que a pintura é bem sucedida”, explica o artista.

As obras de Daniel Lannes aliam a sensualidade do corpo às relações de poder existentes na sociedade e seus clichês comportamentais, o que revela seu profundo interesse pela condição humana e suas fontes de inspiração: os livros de história da arte e as fotografias publicadas em revistas de costumes, jornais e redes sociais. 

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