Daniel Lannes | Danielian Galeria

ASCII Kolor stitching | 6 pictures | Size: 15390 x 11852 | Lens: Standard | RMS: 3.03 | FOV: 40.38 x 31.61 ~ -1.27 | Projection: Planar | Color: LDR |

A Danielian Galeria tem o prazer de apresentar, a partir de 7 de novembro de 2024, às 18h, a exposição “Daniel Lannes – Entre Poses”, com doze pinturas do artista nascido em 1981 em Niterói, e radicado em São Paulo. Com curadoria de Marcus de Lontra Costa e Rafael Fortes Peixoto, as obras, todas inéditas, e feitas em tinta óleo e acrílica sobre tela de linho, vão ocupar o Pavilhão I da Danielian Galeria.

Os títulos das pinturas, que têm tamanhos variados em torno de 1,50m a 2 metros, já sugerem o ponto de partida para esta produção de Daniel Lannes: o universo criado por Nelson Rodrigues (1912-1980), jornalista, escritor e dramaturgo que em “um estilo próprio e polêmico que abordava de maneira ácida e debochada as questões cotidianas da classe média suburbana carioca”, comentam os curadores. “A partir de paixões, traições e moralismos, seus personagens viviam entre conflitos que revelavam os aspectos mais íntimos e profundos da natureza humana”.

As pinturas são: “Novos mitos, novos traumas”, “A pele da paisagem”, “Cuidar desprezando, desprezar cuidando”, “Trégua”, “O fio dental é a nossa maior arma”, “Cetim”, “Perdoa-me por me traíres” (2024), com 150x185cm

, “O desejo como performance”, “Só os intranscendentes enxergam o óbvio”,“Suor”,“À francesa” e “Ela é quem quer” (2024), óleo e acrílica sobre linho, com 170x140cm .

Os curadores explicam que “as telas de Daniel Lannes partem desse caldo humano para uma pintura de gestos precisos lançados à tela. A matéria oleosa da tinta alcança a fisicalidade da carne em personagens, cenas e imagens que falam muito mais de uma atmosfera do que de um tema específico”.

Rafael Fortes Peixoto afirma que Daniel Lannes “é um dos mais destacados pintores da sua geração e traz conexões profundas e sutis com as tradições artísticas no ambiente da pintura. O retrato, que é um gênero de incontestável importância artística e histórica na arte ocidental, está presente de maneira significativa na sua produção. O próprio título da mostra, ‘Entre Poses’, vem daí. Ao observar o retratado ou o modelo vivo no processo de pintura de suas telas, Lannes busca, e se interessa, por esse hiato entre uma pose e outra, esse momento de suspensão, relaxamento e vazio que reflete de maneira tão profunda a nossa natureza”.

Daniel Lannes diz que “pensar o Brasil sem a presença de um corpo é algo inimaginável”. “Antes do tucano, da arara, da Amazônia ou da banana, o Brasil exala hormônios. Um país que sua. Nossa tradição construtivista e neoconcreta dos anos 1960 pareceu deslocar esse corpo para a plasticidade da forma abstrata. Ledo engano. Não tardou para que em Hélio Oiticica escancarasse essa fleuma europeia e ‘invadisse’ o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro acompanhado por uma escola de samba, a Mangueira, exibindo corpos freneticamente imbuídos de calor e energia”, assinala, mencionando um episódio marcante na história da arte brasileira, quando Hélio Oiticica (1937-1980) chegou ao MAM Rio com ritmistas da Mangueira, em que desfilava, vestidos com seus parangolés.

“O homem cordial brasileiro, já revelado por Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), vive um constante paradoxo: como conviver com sua culpa cristã em relação à nudez, e ainda assim assumir o posto de símbolo sexual”, afirma.

“O corpo no Brasil é algo proibido”, diz o artista, acrescentando que “o fio dental é a deixa para tal conclusão”. “Não há nudez absoluta que possa ser encarada sem desconforto e remorso. Não, pudera, há de se ter um fio, um anteparo, que nos preserve de tamanha blasfêmia. Pintar o nu se enquadra dentro das maiores tradições da pintura a óleo ocidental. Claro que entre uma Vênus de Urbino e uma Olympia certos paradigmas foram caindo pelo caminho”, diz. “No entanto, pintar um nu no Brasil é algo que extrapola os limites da história da arte dentro de nossa própria noção identitária. O que exportamos até hoje não reflete a essência do que somos, diriam os conservadores. Enquanto continuarmos negando nossa sensualidade, recusando o que temos de potência vernacular, e nos permitirmos assumir tais traços apenas durante uma semana de carnaval, o Brasil será sempre o país do futuro. Mas o corpo é agora”.

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