Daniel Acosta "Tektoniks + animais lentos " na Casa Triângulo

O texto de apresentação, que será publicado no folder/convite da exposição, assinado por José Roca, Curador Adjunto Estrellita B. Brodsky de Arte Latinoamericano, Tate Modern, Londres e Diretor Artístico de FLORA ars+natura, Bogotá, ressalta que ocupando lugar indefinido entre a arquitetura, o design e a arte, o trabalho de Daniel Acosta questiona a proverbial inutilidade desta última. Suas esculturas/recintos/móveis convidam o espectador a um exercício ativo de participação, interação e diálogo.

As referências de Acosta à história do design moderno ajudam a situar seu trabalho numa linha conceitual de corte utópico, onde o design e a arquitetura almejavam ter possibilidades reais de transformação da sociedade. A distância histórica permite que hoje vejamos os limites de tal pretensão. Nesse sentido, a aproximação de Acosta não está isenta de uma atitude crítica: o uso de certos materiais, como a Fórmica, já tem sua carga de anacronismo, vestígios de um passado recente, no qual progresso e tecnologia pareciam caminhar de mãos dadas.

A presente exposição põe em relação dois aspectos paralelos no trabalho de Acosta: o lado arquitetônico, que se manifesta em estruturas que contêm o espectador ou definem o espaço no qual ele se move, e um aspecto mais claramente escultórico, visível, por exemplo, em seu interesse pelos brinquedos de plástico para crianças. Acosta já tinha trabalhado em algumas de suas obras com os brinquedos infantis da marca Gulliver, muito reconhecíveis no Brasil, como em Mono1mento ao grande topological (2006), que incluía leões de brinquedo. Freestandupmonkey (2010), um grande macaco em resina, réplica em escala monumental de um pequeno boneco de plástico, ou Imagens Transportadas (2011), imagens coladas numa camionete que transitavam no espaço público.

Em ambos os casos, o arquitetônico e o escultórico, Acosta identifica “as diferentes experiências de uma natureza artificial, industrial, padronizada, que está presente em nosso cotidiano, seja nos materiais e padrões de madeira (tektoniks), seja na representação dos animais (brinquedos)”. Tomando como modelo os pequenos animais de brinquedo, Acosta realiza modelos em grande escala, talhados em madeira, mudando por completo a percepção do objeto e sua materialidade ao converter um objeto em série muito popular numa peça única, fina e preciosa. No contexto artificial que referencia o natural, a peça de mobiliário começa a funcionar de forma mais alegórica, transformando-se em jardim que serve de preâmbulo à instalação com os animais.

Acosta é consciente do potencial transformador da arte quando faz o trânsito à esfera do design, cuja incumbência de resolver em termos estéticos uma prioridade funcional necessariamente o aproxima mais do uso por parte das pessoas. Sobre esse assunto, disse Acosta: “Todos estes trabalhos, além de ter uma situação, digamos, mais escultórica, ou seja, que apresentam uma visualidade interessante, materiais, estruturação…, também podem ser vistos como pequenas arquiteturas em função de seu uso. A possibilidade de que a gente possa se sentar os aproxima do mobiliário urbano e do design. Estando sentadas, as pessoas podem, entre outras coisas, observar o ambiente à sua volta. Então (estes trabalhos) são como dispositivos que potenciam o ambiente, indicando por contraste, no caso da cidade, os espaços de exclusão”. A arquitetura escultórica de Acosta representa justamente o oposto, estabelecendo espaços de inclusão onde o espectador exerce seu direito cidadão de expressão.

Daniel Acosta [Rio Grande/Brasil, 1965] também realiza simultaneamente a exposição individual Daniel Acosta: Desenho + Escultura + Mobiliário, no Museu de Arte Contemporânea de Goiás, em Goiânia, até o dia 02/03/2015 e participa da mostra coletiva Iberê Camargo: Século XXI, comemorativa dos 100 anos de nascimento do artista, na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, até o dia 29/03/2015, além de ter realizado projeto solo na ArtBo – Feira Internacional de Arte de Bogotá.

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