A artista Dalva França de Assis apresenta a exposição “Em Legítima Defesa”, com curadoria de Mariurka Maturell Ruiz, na Galeria Lama, em Florianópolis. A mostra reúne 17 obras que confrontam a violência institucional e o apagamento de corpos negros e periféricos no Brasil contemporâneo.
Com uma poética que entrelaça denúncia e espiritualidade, Dalva constrói um território de escuta e memória. Tanto que suas obras incorporam fragmentos de reportagens, jargões policiais e termos burocráticos, revelando como a linguagem legitima a repressão. Ao transformar documentos em arte, a artista devolve à sociedade uma frase banalizada ‘em legítima defesa’, para ser reescrita com sensibilidade e crítica.
Mariurka ressalta ainda que a exposição não busca respostas, mas deslocamentos. “Entre abordagens policiais e execuções, emergem gestos de oração, escuta e esperança. O som da farda e o silêncio do corpo coexistem como ruído e respiração, lembrando que toda sociedade que silencia suas vítimas também silencia a si mesma”, compartilha a curadora.
Os trabalhos são séries de pinturas que transitam entre o óleo e o acrílico com suportes variados que vão desde pano de chão cozinha à tradicional tela com base de cola de coelho.
A programação de “Em Legítima Defesa” inclui uma visitação guiada seguida de conversa com a artista a partir das 16h30 do dia 22 de novembro, e a oficina “Intervenção Pedagógica”, com vagas limitadas a 15 participantes, às 14h do dia 29 de novembro. A finissage está marcada para às 19h do dia 6 de dezembro.

