Daku | Sesc Santo André

Tempo é fluxo perpétuo de transformação. Essa é umas premissas de Henri Bergson no livro A evolução criadora, Prêmio Nobel  de Literatura de 1927. Na obra, o filósofo francês discute o tempo como movimento transitório e imutável, um processo fluído e contínuo da existência que gera o futuro no presente enquanto revisita o passado. É dividido em instantes e momentos, maneira que o homem encontrou de mensurar a passagem do tempo. Ilusão ou movimento da infinitude, o tempo mostra que não somos a origem, e tampouco o fim.

No mês de dezembro o Sesc Santo André e o artista indiano Daku convidam o público a refletir sobre o tempo com a exposição Experimentos com Tempo e Sombras, com abertura marcada para dia 10, terça-feira. Em exposição inédita no Brasil, o artista anônimo nascido em uma pequena cidade da Índia utiliza em suas obras a tecnologia mais antiga do mundo para medir o tempo: as sombras.

A rampa de entrada da unidade recebe uma grande instalação suspensa com letras que, ao serem refletidas pelo sol, formam frases escritas pelas sombras no chão. O texto, de autoria do artita, incita a reflexão sobre o tempo e o efeito de sua passagem em nossas vidas.

“Antes da invenção do relógio moderno, as sombras eram a principal fonte de mensuração do tempo. Os egípcios antigos usavam relógios solares ou relógios de sombra para medir os ciclos de 24h do dia/noite. Hoje, no mundo moderno – de aceleradas mudanças -, nós quase esquecemos da conexão entre sombras e tempo”, afirma o artista anônimo  que utiliza o pseudônimo Daku, tradução hindi para a palavra “bandido”.

Além da instalação que recepciona o público no Sesc Santo André, Daku expõe retratos de suas obras pelo mundo, que já foram expostas em espaços como Centre Pompidou (França), Bienal de Veneza, Trienalle Design Museum (Itália), Sikka Art Fair (Dubai), IndianArt Fair, entre outros.

Outdoors com frases como “Relaxe. Não vou te vender nada”,ou “Procura-se: um espaço na sua mente”; instalações que formam frases em paredes da cidade de Lodhi; placas em avenidas com os dizeres “stop shopping”; são alguns do resgistros das obras de Daku que estarão na exposição Experimentos com Tempo e Sombras.

Através do seu trabalho, Daku fala sobre a natureza temporária de nossa vida contemporânea, mercado artístico e sociedade em geral. Sempre experimentando com diferentes técnicas e linguagens – inglês e hindu -, ele é capaz de estabelecer diálogos profundos e localizados com os espaços nos quais trabalha.

A despeito dos temas complexos, desafiando a si e a sua audiência, o artista logra afetar seu espectador com comentários simples e incisivos, na forma de intervenções públicas de arte. Por vezes poético e lírico, outras tantas, vândalo e cru, o trabalho de Daku é sempre surpreendente e constantemente transitório.

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