A Maneco Müller : Múltiplo Galeria, no Leblon, abre Anfi, exposição individual de Daisy Xavier. A mostra apresenta uma série inédita de trabalhos num dos momentos mais representativos da produção da artista carioca, que iniciou sua trajetória nas artes visuais na década de 1980. Reunindo cinco telas e cinco desenhos de grandes dimensões, as obras transitam sobre o elemento central de sua poética: a rede. Sobre linho ou papel, linhas enérgicas se cruzam e se conectam por meio de ganchos, formando redes intrincadas, que parecem ganhar corpo e romper os limites do quadro, em infinitas combinações. A exposição abre no dia 30 de julho, quinta-feira, e pode ser visitada até 4 de setembro.
Tanto nas pinturas sobre telas de linho cru (de aproximadamente 188 x 140 cm) como nos desenhos em papel de gravura (106 x 78 cm), traços vigorosos se sobrepõem, angulam-se e se cruzam, conectando-se pelas extremidades. “As tramas de Daisy Xavier pertencem à tela, mas, ao mesmo tempo, parecem escapar dela e ganhar tridimensionalidade. Sua obra intriga, desafia o olhar, insinuando-se para o espaço. Esse é o grande trunfo da produção da artista”, diz Maneco Müller, sócio da galeria.
Outro ponto forte da produção exibida na mostra é o contraste dos materiais utilizados. Nas telas, a nobreza do linho serve de suporte para traços rudes e carregados, executados com lápis de óleo e tinta de asfalto. A artista usa pouca cor, privilegiando o preto e o branco, tons sóbrios sobre a cor do tecido cru. Já os desenhos em papel imaculadamente branco são produzidos com linhas carregadas de tinta a óleo, onde sobressaem manchas de ecoline em vermelho intenso.
Segundo a artista, o nome da exposição Anfi tem origem na palavra grega amphi, que significa “em torno de”, “ao redor”, “de ambos os lados” ou “duplicidade”. Esse termo é frequentemente utilizado como prefixo para indicar que algo se aplica a duas partes ou envolve os dois lados de uma situação. “A dissolução de limites entre opostos, a permeabilidade de fronteiras é uma questão central do meu trabalho. Por isso, uso tanto a figura da rede. Ela permite que o que está dentro seja visto por fora, e o que está fora seja visto por dentro. Ao mesmo tempo em que limita, ela dissolve esse limite. Isso me interessa”, explica a artista.
Anfi é a primeira individual de Daisy Xavier na galeria. “Tivemos a alegria de reunir um conjunto de trabalhos inéditos de grande força poética, com a assinatura visual criativa da artista”, finaliza Stella Ramos, sócia do espaço ao lado de Maneco Müller.

