No dia 26 de agosto, às 10h, a artista, ativista e educadora indígena Daiara Tukano lança, no Instituto Paranaense de Cegos (IPC), o primeiro mural tátil e sonoro do Paraná, uma obra de arte desenvolvida em parceria com pessoas cegas e com baixa visão, que pode ser sentida também por meio do tato e da audição.
A artista, que estará presente na cerimônia de abertura, conta que trabalhar com pessoas cegas trouxe novas perspectivas para seu trabalho. “Eu acho que a visão é algo que está além do olhar e daquilo que o olho consegue realmente ver, por isso esta experiência me provocou para perceber outras sensibilidades”, comenta Daiara.
Conhecida por pinturas que registram visões obtidas durante rituais espirituais, Daiara pertence ao povo Yepá Mahsã (Tukano), do Alto Rio Negro, na Amazônia, e trabalha com o conceito da cosmovisão, maneira própria que cada povo originário tem de ver, entender e explicar o universo.
A partir da ilustração Pirõ nīkī – Floresta da Serpente, o mural com cerca de 10 metros quadrados traz a figura da serpente como eixo central da floresta, além de árvores, raízes e alguns outros animais da fauna amazônica produzidos em relevo e com materiais de diferentes texturas.
Vale lembrar que todos os materiais usados na construção da obra foram escolhidos em encontros e oficinas com estudantes e colaboradores do IPC, para permitir que as pessoas com deficiência visual possam ser protagonistas no processo artístico de construção da acessibilidade.
Para Manoel Negraes, que coordenou a mediação em acessibilidade do projeto, um dos eixos mais importantes é a participação ativa do público-alvo na construção do mural. “É importante dar protagonismo às próprias pessoas cegas, e por isso, existiu um cuidado que passou pela escolha dos materiais e o diálogo com a artista, por ser um trabalho com riqueza de detalhes e pioneiro no estado”.

