Correspondência 3 | Espaço Nexus

A mostra coletiva “Correspondência 3”, reúne Maria Villares, Marcio Périgo, Mario Fiore e Ulysses Bôscolo de Paula em torno da ideia de colagem como princípio articulador da forma e do pensamento contemporâneo. Com curadoria de Ernesto Bonato, esta é a terceira exposição de uma série de mostras dedicadas ao diálogo entre a criadora do Espaço Nexus, Maria Villares, e artistas convidados.

No dia 05 de abril de 2025 (sábado), às 15h, acontece no Espaço Nexus uma roda de conversa sobre o tema entre os artistas e curador. Da qual participará também Matheus Parisi, autor do vídeo especialmente realizado para a exposição. A partir da concepção do curador Ernesto Bonato, o audiovisual revela o universo de cada um dos ateliês dos quatro artistas, bem como as páginas folheadas de seus cadernos de anotações e projetos. Veja aqui teaser do vídeo.

Texto do curador, Ernesto Bonato, sobre as obras de cada artista expostas em “Correspondência 3”:

Os quatro artistas aqui reunidos se destacam pela diversidade de materiais, linguagens e técnicas que utilizam, incorporando frequentemente a colagem como princípio articulador do pensamento e como elemento construtivo de suas obras, não importa se realizadas em gravura, pintura, desenho, fotografia, escultura ou outros meios. Esse princípio da colagem se manifesta ora nas próprias obras expostas, ora na relação entre as várias obras de um mesmo artista ou entre os diferentes expositores. O caráter provisório e fluido da colagem está presente também nos cadernos de anotações dos artistas e mesmo na configuração de seus ateliês, destacada pelo curador em um filme realizado especialmente para a exposição por Matheus Parisi.

Entre as obras de Maria Villares escolhidas para a mostra destacam-se algumas pertencentes a série intitulada “Muito além da maçã”, na qual a artista trabalhou entre1993 e 1999. A série manifesta o interesse perene da artista pela imagem do embrião, da semente, do fruto, como símbolos dos processos criativos e geradores da vida. Um conjunto de aproximadamente 30 desenhos realizados com bastão oleoso em papel vegetal, cujas imagens são formadas pela transparência das folhas sobrepostas, se conecta com outra obra composta por um móvel de madeira, com gavetas, contendo lâminas de uma maçã ‘fossilizada’ pela passagem de mais de duas décadas. Essa obra se desdobra em outros dois objetos de acrílico que revelam, também pela transparência, as diferentes camadas de imagens digitais da mesma maçã, impressas em acetato. O princípio da colagem se manifesta nessas obras pela sobreposição e transparência, pelo acúmulo do tempo e por meio das relações que esses objetos, de matérias tão diversas, estabelecem entre si. Maria exibe ainda uma pintura em tela de grandes dimensões e uma série de pinturas com goma laca e aquarela sobre papéis de algodão (série “Vasos Comunicantes”, anos 90), além de cadernos de desenho e colagem, como o que gerou o livro “Acordo íntimo entre as partes”, de 2007. Rede social: Maria Villares @villaresmaria

Ulysses Bôscolo de Paula, o mais jovem do grupo, apresenta três conjuntos de obras. A obra “Cidades Invisíveis” (2015-2025) é formada por centenas de pequenas matrizes de madeira de diferentes tamanhos, formatos e qualidades, gravadas com diminutas imagens durante uma residência que fez na Cité Internationale des Arts de Paris e organizadas de modo a nos passar a sensação de sobrevoo em uma cidade estranha e ruinosa. Outra obra que se conecta a esta é “Célula Tronco” (2012 – 2025), composta de vigas de madeira maciça suspensas por cabos de aço e de onde ‘brotam’ pequenas caixas e álbuns, contendo xilogravuras em pequena escala (3 x 3 cm) que precisam ser manuseadas por pinças e examinadas com lentes de aumento. A obra “O Paraíso Perdido” (2016 – 2024) é um grande livro de colagens trabalhado pelo artista ao longo de oito anos a partir de um livro de fotografias originário. Este trabalho nos dá a dimensão das possibilidades do pensar visual, a partir da conexão de múltiplas imagens de diferentes fontes e qualidades, produzindo um verdadeiro ensaio sobre a origem do mundo ao conectar o sagrado e o profano ao ato de criação da vida e da morte. Rede social: @ulyssesbo

Mario Fiore apresenta uma série de 9 relevos em madeira selecionadas de um conjunto muito maior ao qual o artista vem se dedicando desde 2015. O artista, que tem formação também em arquitetura, constrói colagens arquitetônicas, gerando espaços cênicos e, em certa medida, discursivos, que articulam elementos construtivos clássicos como a coluna, o arco, o pilar, contrapondo-os à precariedade dos pequenos pedaços de madeira reaproveitada com os quais organiza suas composições na exígua profundidade do relevo. Ao mesmo tempo que poderiam ser páginas de um codex de arquitetura fantástica, podem ser relacionados ao espaço cênico de um teatro imaginário cujos atores são os próprios elementos arquitetônicos. Mario ainda expõe quatro pinturas sobre papel nas quais podemos perceber o pensamento e o processo construtivo do artista partir da justaposição de planos de cor e elementos heterodoxos. Fiore apresenta ainda alguns dos inúmeros cadernos de desenhos e colagens em que trabalha cotidianamente no seu ateliê. Rede social: @mariofiorem

Marcio Périgo propõe para a exposição a montagem de uma cena composta de objetos diversos como duas pinturas de grande formato s/t, 2008), quatro gravuras e metal (série “Somos memória”, 2020 – 2022), quatro monotipias (s/t, 2024), alguns pequenos cadernos de esboço e uma série de quatorze esculturas em madeira (2008 -2024). A relação entre obras realizadas ao longo de dezesseis anos e com caráteres tão distintos, nos provoca a buscar relações significativas entre elas. Ao mesmo tempo que é possível identificar algumas convergências do ponto de vista construtivo, formal e cromático; podemos também perceber como o universo do artista pode se constituir a partir de interesses múltiplos e mesmo heterodoxos. As possíveis relações que podemos estabelecer entre as obras da exposição nos fazem exercitar um olhar aberto e sensível às dinâmicas que intercedem na colagem de elementos que compõem um dado universo e intuir significados, mesmo que provisórios, mesmo que precários, à estas relações. Rede social: @marcioperigo

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