No dia 28 de março, um dos edifícios emblemáticos do centro de São Paulo passa a abrigar um novo espaço dedicado ao encontro entre arte, arquitetura e design. O LAB MR inaugura seu espaço permanente no Edifício Itália com a exposição Corpo Território, com curadoria de Ana Carolina Ralston e trabalhos de Tamikuã Txihi, Rodrigo Silveira, Gustavo Utrabo, Hugo Fortes e Henrique Sur.
Criado por Melina Romano como um campo de investigação entre diferentes práticas criativas, o LAB MR inicia ali uma nova etapa de suas atividades. A abertura coincide com o início da programação curatorial do projeto para 2026, que propõe observar como práticas contemporâneas de criação se relacionam com paisagem, cultura material e modos de habitar.
De acordo com a curadora Ana Carolina Ralston, a exposição surge de um conceito ligado a movimentos feministas comunitários indígenas de Abya Yala, denominação utilizada por povos originários para se referir ao território da América Latina, que compreendem o corpo como a primeira extensão territorial de vivências, memórias e lutas. Para ela, corpo-território é a compreensão de que o espaço não é algo externo a nós, mas algo que nos constitui e que constituímos em reciprocidade. E ainda observa: se a arquitetura organiza o espaço, o design articula suas funções e a arte tensiona seus significados, juntos constroem uma ética do habitar e revelam que todo espaço é político e afetivo.
“Criei o LAB MR como um espaço que une pensamento e prática. Ao convidar artistas e curadores, ele se torna um lugar de pesquisa, crítica, experiência e documentação. No encontro entre ação e reflexão, o LAB MR convida o público a atravessar a exposição como parte de um processo em andamento.” — Melina Romano

