Corpo Dado | Galeria Aura

A exposição explora os desdobramentos contemporâneos de um recurso arcaico, perene e emblemático da prática artística: o trabalho a partir de modelo vivo. Entre ritual e técnica para representar a figura humana, seja em grupos, com um corpo nu cercado por artistas, ou com o modelo posando no atelier do artista, a atividade carrega o peso da História da Arte, de suas instituições e métodos de ensino tradicionais.

A carga simbólica do modelo vivo, principalmente do Modernismo em diante, foi explorada e desconstruída por diferentes gerações de artistas. Ainda assim, o modelo vivo e sua nudez podem representar tradicionalismo retrógrado, no contexto da arte contemporânea e, ao mesmo tempo, seguir causando desconforto em uma sociedade de conservadorismo ascendente.

Corpo Dado tem como ponto de partida um trabalho inédito e histórico do pintor Iberê Camargo, um dos primeiros desenhos de modelo vivo realizados pelo artista, em 1942, representando um senhor de idade avançada, nu. O desenho chega trazendo consigo a relação da família, atual proprietária da obra, com esse “velho nu no meio da sala”. Com curadoria de Lucas Pexão e Marcilia Brito, o acontecimento reverbera em uma rede de artistas representados ou não pela Aura, que trabalham, atualizam e extrapolam a prática de modelo vivo.

Os 10 artistas convidados em Corpo Dado apresentam trabalhos que vão da fotografia à performance, passando também pelo desenho e pela pintura. Entre eles, estão integrantes de espaços independentes que experimentam com modelo vivo, como o Breu e o Atelier do Centro, e artistas que também atuam como modelos vivos.

Artistas:

Iberê Camargo, Laerte, Pedro Ivo, Mariana Poppovic, Julia Linda, Thany Sanches, Diego Almeida, Helena Marc, Luca Parise e Rafael Coutinho.

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