Conversas Diplomáticas – Celma Albuquerque Galeria de Arte

A Celma Albuquerque Galeria de Arte apresenta, a partir do dia 17 de novembro, a exposição Conversas Diplomáticas, com a participação dos artistas representados pela galeria: Alan Fontes, Alessandro Lima, Beth Jobim, Bruno Vilela, Daniel Bilac, Daniel Escobar, Flavia Bertinato, Isaura Pena, João Castilho, José Bechara, Laura Belém, Leda Catunda, Liliane Dardot, Manuel Carvalho, Marcelo Moscheta, Nazareno Rodrigues, Nuno Ramos, Pedro Motta, Roberto Bethônico, Rochelle Costi, Tatiana Blass e Vanderlei Lopes.

A mostra dá início a uma série de exposições coletivas relacionadas que têm como base a conversa entre os artistas. A ideia central do projeto é a aproximação entre os trabalhos, seja por semelhanças ou diferenças, sempre na busca por reverberações dialéticas. A mostra traz como proposta curatorial a eleição de uma obra específica de um dos artistas como ponto de partida para criar uma rede de conexões com as outras obras da exposição, reconhecendo as sutis ramificações conceituais possíveis.

Para esta primeira mostra foi escolhida a obra Conversas Diplomáticas, da artista Laura Belém. Segundo a artista, o trabalho nasceu do acúmulo de moedas coletadas durante viagens ao exterior. Tais moedas foram combinadas em duos – cara a cara – e montadas em cinco diagramas de sete pares de moeda cada. “A obra cria diálogos metafóricos entre as personagens históricas impressas nas moedas, colocando, lado a lado, personalidades de diferentes países e épocas”. Ao fazer isso, Laura Belém sugere diálogos a partir desses encontros arbitrários, que não são necessariamente baseados em trocas históricas ou econômicas entre os países colocados em pares. Como apontado pelo curador canadense Earl Miller, ainda que o significado do trabalho seja interpretado como político, uma implicação mais forte é a ponte de diferenças através dos encontros randômicos entre os estranhos. Há assim uma disposição ao humor e uma ressignificação de um elemento do cotidiano, como em outros trabalhos da artista.

Neste momento delicado e tenso pelo qual todos temos vivido, faz-se necessário e urgente que possamos promover encontros nos quais possam ocorrer diálogos construtivos. Nas relações interpessoais, de modo geral, é preciso que se estabeleçam conversas realmente constituídas pelos dois elementos que as propulsionam: a fala e a escuta – e não somente pela primeira. Mais do que nunca é preciso aprender e saber escutar. Sendo assim, poderíamos pensar que nesta mostra as obras não só falam das questões propostas pelos artistas como também escutam umas às outras. Estas conversas entre as obras e os artistas levam a discussões que permitem que artistas de várias gerações proporcionem um espaço para o exercício do pensamento, analisa Flávia Albuquerque.

Foram criados grupos ou rodas de conversas a partir das questões trazidas pelos artistas e suas obras. A exposição é dividida em 6 núcleos temáticos com obras que versam sobre a linguagem e a comunicação; a natureza e o meio ambiente; espaços privados e públicos; o tempo e a morte. Em todas essas conversas estão presentes os dois lados da moeda, ou seja, a dialética que se estabelece e funda qualquer diálogo. Desse modo, quando os artistas apresentam obras relacionadas à comunicação, estão trazendo para a conversa/exposição tanto a facilidade e a dificuldade quanto a inexistência dela. Neste período em que nossas relações interpessoais sofrem uma mudança significativa causada pelo isolamento social, as dificuldades de comunicação – bem como sua facilidade e rapidez – andam de mãos dadas com as questões emocionais e subjetivas trazidas por ela. No momento em que a comunicação – ou falta dela – interfere diretamente em todas as outras relações, a exposição propõe uma reflexão também sobre a verdade, ou melhor, as verdades; visto que esta palavra já não pode mais ser lida no singular.

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