Conversas com objetos | Museu Afro Brasil

Por que a história da arte tem que ser contada sempre do ponto de vista europeu? Como seria uma história da arte que fosse narrada, por exemplo, a partir das culturas africanas ou da cultura brasileira?
Buscando pensar outros discursos possíveis no campo da história da arte e examinar as relações simbólicas que estabelecemos com a cultura material, acontecerá no Museu Afro Brasil, instituição da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, a 4ª edição do “Conversas com Objetos”, uma organização do Goethe-Institut, em parceria com o espaço museológico e a Bienal de São Paulo.
Gratuito e aberto ao público, o projeto tem coordenação da professora Claudia Mattos Avolese (Unicamp) e participação do escritor, crítico e curador Marcelo Rezende, do artista, curador e professor da PUC-SP Ayrson Heráclito, da artista israelense participante da 32ª Bienal de Artes de São Paulo Michal Helfman, da pesquisadora e historiadora Juliana Bevilacqua.
A ideia é reunir especialistas de formações diversas em torno de uma peça considerada parte da história da arte não europeia para elaborar discursos e refletir sobre perspectivas não eurocêntricas da história da arte. O objeto em questão será uma peça do acervo do Museu Afro Brasil que, até o momento do evento, não será revelada.
A conferência se destaca pela surpresa do confronto material com o objeto: sem preparo prévio, especialistas e público, são convidados a ocuparem a mesma posição como produtores de conhecimento sobre a peça em questão, desmontando a hierarquia secular sobre o discurso da história da arte. O formato do evento também se diferencia pela disrupção: cadeiras são colocadas em círculo, no formato Fishbowl, em que todos podem ocupar a posição de “especialista”.
O “Conversas com Objetos” faz parte do projeto Episódios do Sul, concebido pelo Goethe-Institut, que busca visões e contribuições do Sul na arte, na ciência e na cultura, em um contexto de crescente globalização. Através de rodas de discussão, seminários, grupos de pesquisa, residências e produções artísticas, são colocadas em pauta as visões próprias do sul em relação à história da arte global, o futuro dos museus, utopias possíveis, mediação do conhecimento, entre outros temas.

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