Contato-deriva | Ateliê397

Melissa Baltazar. O sinuoso caminho que persigo, 2025. Óleo em cetim - 70 cm x 80 cm.

Melissa Baltazar. O sinuoso caminho que persigo, 2025. Óleo em cetim - 70 cm x 80 cm.

A exposição Contato-Deriva tem curadoria de Sophia Faustino e Thais Rivitti e conta com a participação das artistas Licida Vidal, Melissa Baltazar e Raquel Nava. Fruto da convivência do coletivo feminista Vozes Agudas, a exposição é entendida como um “prenúncio de chuva”, que parte das obras das artistas participantes do grupo para refletir sobre como a convivência e a criação de redes cria outras maneiras de interagirmos com as mudanças do tempo e com as tantas formas de violência que nos rodeiam — uma ventania que impulsiona transformações futuras.

“Criar coletivamente vem do desejo de criar um outro mundo, mas também de dividir a criação desse mundo. De estar à deriva, de lançar-se ao desconhecido, mas também de promover o contato. Um empreendimento mútuo”, afirma Sophia Faustino, uma das curadoras.

O coletivo Vozes Agudas é um grupo de estudos e intervenções com ênfase feminista, formado exclusivamente por mulheres atuantes no circuito artístico, como pesquisadoras, curadoras, produtoras, artistas, educadoras e gestoras, que se encontram
regularmente desde 2018 no Ateliê397.

Programação de encerramento 20 de dezembro

Programação diversa para a Travessa Aberta: exibição de filme, venda de prints, performance e lançamento de livros

Em 20 de dezembro, teremos mais uma edição da Travessa Aberta, evento que reúne os espaços de arte da Travessa Dona Paula, em torno de uma programação especial. No Ateliê397, além do encerramento da exposição Contato-Deriva, haverá uma programação diversa, que vai da venda de prints e trabalhos em papel pelas artistas do Vozes Agudas, a exibição do filme “Anhell69” (2022), do diretor colombiano Theo Montoya, uma roda de conversa sobre o lançamento do livro SPECTROPHILIA, de Shajara Neéhilan Bensusan, até a performance “É Só Um Serviço De Mulher”, da artista Williana Silva, seguida do lançamento de seu livro “Escorre um rio em mim: poéticas demenstru- ações”.

A partir das 14h: finissage da exposição Contato-Deriva, venda de prints e exibição do filme ANHELL69 de Theo Montoya

ANHELL69 traça as encruzilhadas queer da geração de Medellín que é órfã de Pablo Escobar. A jovem cena queer de Medellín é escalada para atuar no filme, mas o principal protagonista morre. Os espectrofílicos acabam sendo caçados como dissidentes, subjevados, insurgentes. Mas a cada geração de espectros cabe a missão de seduzir os vivos e produzir mais uma leva de amantes de fantasmas. Sem horror, com desejo. Sem espanto, com companhia. Sem reencarnação, com compulsão da carne. O filme ensina que a libido não é propriedade dos corpos vivos.

16h: roda de conversa e lançamento do livro SPECTROPHILIA, de Shajara Neéhilan, com a presença de Romulo Barros, Rodrigo Petronio, Pol Iryo e Fabiane M. Borges.

SPECTROPHILIA é uma casa assombrada. Quem escreve por nossas mãos? São espectros que nos atravessam em linha tortas que precipitam a diferença imponente mas frágil entre vivos e mortos. Quem lembra por nossas memórias? E quando nos lembramos, essa diferença sai de cena. Sobra amar a imortalidade de quem morre sabendo que ela vai e volta como um assombro, como
uma conjuração. Sexo desprotegido com fantasmas. E se amássemos espectros mesmo que eles não carreguem consigo o porrete do poder da morte sobre a vida?

Imagem: Raquel Nava. Série Polímeros Canibais 3, 2024
Editora: Cultura e Barbárie
Orelha: Cecília Cavalieri

17h: performance “É Só Um Serviço De Mulher” e lançamento do livro “Escorre um rio em mim: poéticas de menstru- ações” de Williana Silva.

“É Só Um Serviço De Mulher” é uma performance que aborda o verbo “passar”, escancarando,através do ato de passar roupa, as violências, o peso do trabalho doméstico, o silenciamento, as marcas sutis que a opressão deixa sobre o corpo feminino e as palavras que ecoam dentro do espaço doméstico. O livro “Escorre um rio em mim: poéticas de menstru- ações” surge a
partir da dissertação de mestrado da autora, tornando-se publicação por meio do edital Territórios de Criação – Programa de Publicação de Pesquisas. A obra investiga a menstruação como matéria e símbolo para a construção de um artivismo e de uma estética feminista na América Latina. Dialogando com o legado das artistas feministas dos anos 1960 — que desafiaram violências, tabus, colonialismos e estruturas patriarcais — o livro abre frestas poéticas que conectam arte, corpo, memória, cura e ancestralidade. Inspirada por artistas latino-americanas como María Evelia Marmolejo, Ana Mendieta, Colectivo Mujeres Creando, Carina Úbeda, Effymia e Maria Eugênia Matricardi, entre outras, a autora traça um percurso sensível que
ressignifica o lugar da menstruação na criação artística contemporânea. A publicação integra o projeto Territórios de Criação, realizado pelo Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura, e pelo Governo Federal, via Ministério da Cultura(MinC), através da Lei Paulo Gustavo, com execução da Mercúrio – Gestão, Produção eAções Colaborativas e produção da Casa das POC Produções Criativas.

Compartilhar: