Claudia Hamerski | Adelina Instituto

Obra de Claudia Hamerski Foto: Anna Bogaciovas

Adelina Instituto abre a partir de 10 de junho, a exposição O lugar costuma ser o centro, da artista Claudia Hamerski, que integra o projeto Perímetros, do curador Mario Gioia.

Pela primeira vez, o instituto terá uma exposição online devido a crise do coronavirus, respeitando a recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de isolamento social para garantir a saúde e segurança de todos.

“Abrir a exposição no modo virtual, convidando o público a ver de casa, é um modo de participar desse momento e seguir trabalhando com as ferramentas que temos. A visita virtual não é uma novidade. Muitos museus no mundo disponibilizam ao público e colaboram para que as produções circulem e tenham um alcance ainda maior. Dessa forma, minha expectativa é de continuar a conversa, abrir esse canal para que possamos dialogar”, afirma a artista Claudia.

Perímetros é dedicado a artistas prioritariamente sem exposições individuais em São Paulo, de variadas linguagens, origens e investigações. O projeto foi desenvolvido por Mario Gioia, que o apresentou à Adelina Instituto. “São Paulo é uma grande vitrine para as artes no País e sabemos que nem sempre é fácil entrar no circuito e conseguir uma mostra individual na programação paulista. A ideia de Perímetros é abrir espaço pra esses nomes e também oferecer ao público nomes que eles nem sempre estão acostumados a ver”, explica o curador.

Natural de Seberi (RS), Claudia Hamerski, vem ganhando destaque como artista visual e já esteve em São Paulo para mostras coletivas. Sua produção atual está concentrada nos processos de deslocamento pela cidade, relação entre fotografia e desenho, alteração de escalas, relações de localização e a insubordinação da paisagem ao arquitetonicamente instituído, e imbricações no processo criativo em desenho. Nesse sentido, o olhar para o processo, os elementos de invisibilidade, as oposições periferia e centro, a ressignificação de elementos, a ideia de lugar e atenção para o que está à margem têm feito parte do pensamento e produção da artista e ganham destaque na exposição.

O foco central da exposição da artista, entre outras referências, teve como inspiração a leitura do livro do autor Yi-Fu Tuan sobre espaço e lugar. “As relações que vejo e que me fizeram pensar esse título, O lugar costuma ser o centro, dialogam com alguns pontos que me interessam, referentes a questões do trabalho. Na exposição estão contemplados desenhos a partir de registros feitos em Seberi, Porto Alegre e possivelmente na área próxima ao Instituto, três lugares estabelecendo relações/vivências diferentes para mim”, afirma Claudia.

Para a exposição o lugar costuma ser o centro, Claudia Hamerski apresenta novos desdobramentos e abordagens em seu corpo de obra, agora mais colorido e ligado a uma ideia de origem e identidade. A fundamentação no desenho permanece, mas a investigação da paisagem lateral, periférica e menor, além de um comportamento multifacetado em termos de linguagem, podem ser destacados. O processo como dado basilar e disparador de configurações outras, tanto conceituais como plásticas, não pode ser esquecido.

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