Clarice Gonçalves | Referência Galeria de Arte

No próximo dia 9 de dezembro, na Sala Acervo da Referência Galeria de Arte, a artista visual  Clarice Gonçalves apresenta Repositório de Pulsões. São pinturas em acrílica e em óleo sobre tela em formatos diferentes que ou nunca saíram do ateliê ou que foram pouco exibidas, com curadoria de Paulo Vega Jr. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos.

O curador Paulo Vega Jr. afirma que: “A obra de Clarice Gonçalves é e precisa ser, no mínimo, desconfortável. A artista, que trabalha temas tão em voga na atualidade, porém desde antes deles eclodirem como fortes e grandes tendências na esfera das artes, não cai na sedutora armadilha da ilustração ou da pedagogização de pautas sociais através da produção artística. Ele ressalta que Clarice Gonçalves não produz cartilhas ou panfletos na forma de obras de arte. “Ela produz obras de arte abertas à interpretação e à subjetividade e é isso que sustenta a sua produção e trajetória”.

“Arrisco atribuir ao teor ácido das temáticas o não caber em certas narrativas curatoriais e espaços institucionais. Uma delas, ´Pijama` chegou a ser censurada e retirada de um espaço expositivo por trazer à tona justamente o tema a que foi acusada de incitar. A ironia é que a imagem de referência é de uma enciclopédia da editora abril, da década de 50, 60 e que foi largamente distribuída mundialmente.” Clarice Gonçalves

Em Repositório de Pulsões, título emprestado de uma das pinturas da artista de 2020, Clarice apresenta obras que em comum têm o fato de terem sido pouco vistas ou mesmo nunca terem sido apresentadas ao público, quer seja em exposições individuais ou coletivas pelas mais diversas razões. “Porém, habitam há anos o meu ateliê e a minha reserva técnica”, diz a artista.  “Frequentemente me vejo retomando temáticas consideradas tabu, visto que continua sendo necessário e urgente o debate das mesmas: O desamparo da infância, a paternidade ausente, o abuso, a violência obstétrica e o neonatal, trabalho reprodutivo e de cuidado (e a misoginia introjetada em todos esses setores), a sexualidade e a integração na natureza são temas recorrentes em toda a minha obra ao longo de quase 20 anos de carreira”, completa Clarice.

São pinturas de momentos e datações diversas, desde os primórdios, em 2005, 2006 em acrílico sobre tela, até obras mais recentes. Algumas delas estão prontas há anos sem as mostrar, sequer virtualmente. Ficaram a amadurecer, ou melhor, esperando a nossa maturação enquanto sociedade para podermos exercer a capacidade de frui-las e repensar nossas existências.

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