Célia Euvaldo, Elizabeth Jobim, Ester Grinspum, Renata Tassinari e Sandra Antunes Ramos | A2 + Mul.ti.plo

Única galeria de arte contemporânea em Petrópolis, a A2 + Mul.ti.plo inaugura exposição com obras de Célia Euvaldo, Elizabeth Jobim, Ester Grinspum, Sandra Antunes Ramos e Renata Tassinari. A mostra “Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento” destaca a diversidade e extensão do uso do papel na trajetória de cinco conceituadas artistas brasileiras. A coletiva será inaugurada no dia 19 de outubro, às 19h, no Vale das Videiras, e fica em cartaz até 14 de dezembro. A entrada é franca.

Na mostra “Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento”, as cinco artistas apresentam obras que se destacam tanto pela densidade como pela economia de elementos, como num poema (o título foi retirado da antologia do poeta português Herberto Helder). Célia Euvaldo traz desenhos feitos com nanquim sobre papel chinês, realizados entre 1988 e 2011. Em superfícies opacas, monocromáticas, a presença do corpo e da textura surge em pinceladas largas, feitas de uma vez só, ora na horizontal, ora na vertical, criando um padrão desconcertante. “O traço oscila, derrapa, a tinta respinga, e vou acatando o imprevisto, inclusive a reação do papel, que às vezes enruga, contrai, e assim não é só um fundo, mas um elemento com um papel ativo”, diz Célia. “São obras de pinceladas únicas e, portanto, de um risco imenso. São trabalhos de grande entrega”, acrescenta Maneco Müller, sócio da galeria.

Ester Grinspum apresenta um conjunto de pinturas a óleo sobre papel, de 2017. São pequenas formas desenhadas com pincéis de caligrafia japonesa, com traços que refletem a busca pela subjetividade e a relação entre espaços e vazios, questões importantes na produção da artista. “A forma circular está sempre muito presente no meu trabalho e esses desenhos também são círculos, ou quase círculos, que me remetem à perspectiva cíclica do tempo”, diz ela. “Um tom de incompletude ilumina as telas de Ester, que trazem também pinceladas únicas. É como se só o primeiro passo fosse desvelado”, diz Maneco.

Partindo da observação de pequenas pedras, os desenhos de Elizabeth Jobim reunidos na mostra foram produzidos em acrílica e nanquim sobre papel, entre 2000 e 2004. “Eles trazem minha percepção das formas, dos ângulos e do espaço, e são feitos de várias partes justapostas. Eu desenhava na parede com uma técnica aguada, por isso têm escorridos”, diz ela. Para Maneco, a potência dos trabalhos em exposição consiste justamente neste ambiente aguado que constrói e faz fluir, propor uma espécie de negociação, por vezes tensa, com o acaso. “Elizabeth tem um gesto muito vivo, muito presente, mas nestes trabalhos, ela incorpora o imprevisto. A tinta escorre pelo papel e se transforma em arte”, comenta ele.

Nos trabalhos de Renata Tassinari se veem planos geometrizados por cores, resultado de uma pesquisa que a artista paulistana faz desde 2003. Os desenhos foram produzidos em 2018 com óleo e grafite sobre papel. Foi a partir das pinturas que já fazia sobre placas acrílicas e sobre madeira que Renata começou a pensar o trabalho com o papel. “A paleta cromática dos desenhos tem muito a ver com a das minhas pinturas, inclusive a fresta branca, que é o respiro da obra, o risco por onde corre o ar”, conta Renata. A cor é, sem dúvida, o eixo de gravidade dos trabalhos, e cada uma delas se afirma por si, como persona única e autônoma, comenta Maneco. “Renata demonstra domínio absoluto ao colocar lado a lado cores improváveis, que muitas vezes têm uma convivência nada pacífica. O belo e o estruturado nascem a partir de uma insubordinação das cores”, diz ele.

Sandra Antunes Ramos apresenta pinturas em pequenos formatos, que misturam tinta a óleo e costura sobre papel. Nas obras, ela trabalha tanto a questão pictórica, com blocos de cor, sua marca registrada, como rompe com isso, com linhas fluidas costuradas, que remetem ao corpo feminino. Pequenas e delicadas, as pinturas resultam de um processo de fazer lento e minucioso. “O papel é mais frágil do que a tela. Além disso, uso papéis finos, transparentes, que marcam, vincam, reagem mais. A tinta a óleo, mesmo no papel, demora muito para secar e uso diversas camadas. Depois vem a costura, que é lenta também”, conta Sandra. “São obras delicadas, tanto no formato quanto no acabamento, que buscam equilibrar o geométrico e o orgânico, a rigidez e a fluidez”, explica Maneco Muller.

Todos os trabalhos reunidos na mostra “Ela disse: porque os vestidos transbordam de vento” serão apresentados pela primeira vez na cidade de Petrópolis.

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