Cecília Maraújos | Ateliê 31

O Ateliê 31 apresenta Autoficções, exposição individual de Cecília Maraújos com curadoria de Martha Werneck, a partir do dia 5 de dezembro de 2025, das 18h às 21h. Na mostra, Cecília reúne um conjunto de cerca de 25 pinturas, em diversos formatos, que atravessam corpo, memória e cotidiano como campos de elaboração pictórica, articulando experiências autobiográficas e investigações sobre a representação do feminino na cultura.

Em Autoficções, Cecília apresenta um conjunto de pinturas desenvolvidas a partir de referências fotográficas, estudos e montagens digitais que acompanham seu processo. A artista articula documentação, pesquisa teórica e o uso contínuo do caderno de artista como parte de um método que transforma experiências pessoais em matéria pictórica, fazendo do processo um campo de investigação tão importante quanto a própria imagem final.

As séries reunidas em Autoficções atravessam diferentes momentos da pesquisa da artista e ampliam a compreensão de como corpo, memória e representação se entrelaçam em sua prática. A série Cotidiano inaugura a travessia mais recente da artista, marcada pela experiência da maternidade. A partir de fotografias e registros espontâneos da rotina com Serena, sua filha de um ano, Cecília elabora pinturas que tomam a casa como figura central dessa maternagem crítica — um espaço onde corpo, afeto, memória e cuidado se entrelaçam, e onde o ambiente doméstico assume o mesmo peso que as figuras humanas, revelando camadas simbólicas do dia a dia. “Nesses trabalhos, a noite parece ser cenário e metáfora: espaço temporal em que o cuidado e a criação se confundem. A pintura traz à tona o gesto repetido, a insônia, o contato, a dúvida”, descreve a curadora Martha Werneck.

Em Matriarcado, Cecília aborda experiências da gravidez, do parto e do puerpério, aproximando vivências pessoais das histórias de mulheres de sua família e das referências que moldaram sua compreensão de feminilidade. Já em Amnésias, a artista revisita símbolos ligados à memória e ao esquecimento, construindo composições que tensionam a condição ambígua do corpo feminino e suas projeções sociais — dimensão reforçada pelo uso do autorretrato.

Em Faces do Desejo, Cecília se volta a personagens femininas do cinema, observando como emoções, gestos e expressões são moldados por olhares externos e por direções majoritariamente masculinas, ao mesmo tempo em que revelam potências de autonomia. Por fim, em Em Cinzas, série construída a partir de desenhos em carvão, a artista elabora atmosferas íntimas que emergem de vivências pessoais e estudos de figura, consolidando a relação entre observação, afetividade e processo.

Nos autorretratos reunidos na mostra, Cecília toma o próprio corpo como campo de investigação, observando sua imagem sem idealizações e enfatizando a materialidade da presença. A maternidade desloca essa pesquisa, trazendo gestação, parto e puerpério como atravessamentos que reconfiguram sua reflexão sobre identidade e memória. A montagem — com telas suspensas por fios de nylon — aproxima o público desse processo, abrindo diferentes pontos de vista para a experiência das obras.

“Em suas telas, a pintura é também gesto de resistência, forma de pensar o mundo desde o íntimo. Assim, a artista nos convida a permanecer na penumbra: onde a vida cotidiana se acende em fogo lento e silencioso, transformando o que seria doméstico em potência poética e política”, conclui a curadora.  A mostra marca a conclusão de sua formação em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ.

Autoficções fica em cartaz até o dia 08 de janeiro de 2026. Na programação da mostra estão inclusas diversas oficinas criativas, minicurso, performances, rodas de conversa, visitações guiadas e seminários que potencializam a exposição como espaço de trocas e coletividade, a agenda completa será divulgada no Instagram da artista (@cecil_maraujos) semanalmente, com entrada gratuita, emissão de certificado e acessibilidade para crianças.

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