Casa da Imagem/ Beco do Pinto | Fernando Limberger | Relicto

O Museu da Cidade de São Paulo exibe a exposição Relicto, concebida pelo artista plástico e paisagista, Fernando Limberger, e coordenação de Henrique Siqueira, composta por três instalações, alocadas no Beco do Pinto e na Casa da Imagem. Cinzas, Verde Infinito e Retomada dialogam com conceitos referentes a paisagem e tempo – passado, presente e futuro – a partir de olhares e perspectivas com base na contemporaneidade.

“A ‘encosta do Colégio’ é um raro exemplo de território da cidade que, após ser ocupado por construções, recuperou o verde que existiu em tempos passados”, pondera Siqueira. No início, a região habitada por povos indígenas, passou por transformações urbanísticas resultantes dos processos de conquistas coloniais, cujos registros iconográficos se dão a partir do início do século XIX. O horizonte, sem barreiras à visão, permitia um amplo olhar das construções e vegetações da pequena cidade semelhante à descrição contida nos desenhos e pinturas dos viajantes. As novas edificações criaram bloqueios ao horizonte alterando a visão do ponto de observação. “Somente quando a fotografia passou a documentar as nossas ruas, já no momento das mudanças urbanas propiciadas pela formação do capital econômico, foi possível precisar a tipologia da vegetação”, conclui Henrique Siqueira.

Em Cinzas, o artista apresenta uma instalação site specific temporária, composta por elementos construtivos em concreto, cimento, metal, plástico, além de espécies botânicas, em diferentes tons de cinza, reunidos a partir da paisagem urbana da grande cidade, dispostos ao longo do Beco do Pinto. “Fernando Limberger constrói novas “janelas” na forma de canteiros dentro dos quais despeja materiais urbanos os mais diversos – todos na cor cinza –, numa mistura indiscernível entre uma protoconstrução e os entulhos e detritos de uma cidade em demolição”, destaca o crítico Guilherme Wisnik.

Empilhamentos de vasos cerâmicos, em tons sequenciais da cor verde, encimados por uma muda de Ipê-verde, dão forma a Verde Infinito, instalado na varanda do primeiro andar da Casa da Imagem. “Numa floresta densa, os troncos e galhos das árvores crescem buscando a maior altura possível, na competição pelo sol, capaz de gerar os processos de fotossíntese fundamentais para a vida. Aqui, no entanto, para essa planta solitária, não há qualquer competição. O que faz da verticalidade forçada da escultura algo enigmático”, comenta Wisnik.

O jardim Retomada permanecerá por aproximadamente cinco anos. Composto por espécies herbáceas semeadas da vegetação autóctone que formava a paisagem da pré-fundação da cidade, está alocado no pátio da Casa da Imagem. Um banco em madeira desenvolvido pela marcenaria Quiari soma-se à composição do jardim.

Nos trabalhos da exposição Relicto, Fernando Limberger recupera “o histórico do meio ambiente local, nutrindo a reflexão sobre nosso passado, presente e futuro” diz Henrique Siqueira.

“O relicto é, assim, um sobrevivente. Algo que restou em meio a corpos estranhos. Talvez uma metáfora muito apropriada para a situação de quem hoje, no Brasil, ainda vê na cultura e na natureza algum valor.”

Guilherme Wisnik.

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