Carla Chaim | Galeria Raquel Arnaud

Carla Chaim, Bordado, 2021

A Galeria Raquel Arnaud tem o prazer de apresentar Febre, terceira exposição individual da artista Carla Chaim na galeria. Com desenhos, pinturas, esculturas, vídeos e instalação, a mostra ocupa os dois andares expositivos e reúne em torno de 30 obras produzidas nos últimos dois anos.

Entrando na exposição, o espectador se depara com um ambiente imersivo, delimitado por uma grade penetrável de madeira, de aproximadamente dez por dois metros e meio. Essa estrutura, rígida e geométrica, abriga uma série de desenhos produzidos, principalmente, nos últimos dois anos, durante o período de isolamento social, e cria uma dicotomia entre a austeridade simétrica do grid do suporte, e a fluidez orgânica dos trabalhos. O percurso que a estrutura sugere faz com que o visitante se depare tanto com a parte da frente dos desenhos, quanto com o verso, que revela vestígios do processo e da interação dos materiais.

Sobre essa nova produção, Carla comenta: “Nos últimos anos que se passaram, dentro dessa situação atípica em que nos encontramos hoje, com o furor de colapsos políticos, estéticos, econômicos e de saúde pública, com nossos corpos sendo submetidos à situações drásticas, a minha rotina no ateliê, processo criativo e lógica de produção foram, inevitavelmente, intensificados, dada a característica potência da arte na criação de novas realidades. Diferentes tipos de experiências corporais de desenho e performance, envolvendo a experiência com novos materiais, diferentes tipos de suporte, fazeres ainda não explorados, e a inserção do corpo em situações que investigam as potências dos seus limiares, foram tecidas com grande entrega, resultando em uma série extensa de trabalhos. Irrompeu, também, o meu interesse pelo vermelho, cor do sangue que corre por todos os nossos organismos, tida por diversas culturas como símbolo de urgência, intensidade e confronto.”

A intenção, com a criação de um percurso/labirinto penetrável, é trazer, de maneira sensorial, o espectador para perto do modo de criar da artista, apresentando uma série de desenhos fora do anteparo da moldura, em uma montagem que o faça caminhar por dentro dessa produção intensa, com o ritmo e indicações da expografia sugerida pelos trabalhos em papel carbono, que estarão emoldurados nas paredes da galeria. As esculturas em cerâmicas e grafite pontuam os espaços da galeria e dialogam com os rastros dos gestos coléricos deixados nos papéis e nas telas. Os vídeos parecem apaziguar o fervor gestual visto na maior parte dos trabalhos e despertam outras reflexões.

A curadora e pesquisadora Pollyana Quintella, que assina o texto da mostra, diz: “Febre é uma exposição que ronda as potências reflexivas do gesto. Liberadas de qualquer funcionalidade, as ações de Carla Chaim exploram as rebeliões e levantes que cabem num só corpo. Se a artista costuma ser majoritariamente identificada pela paleta concisa centrada no preto-e-branco (escolha que exerce o papel de manter a produção vinculada às suas operações fundamentais, despida de acessórios), aqui acompanhamos um forte interesse pelo vermelho e suas variações, fruto da busca por uma nova radicalidade e um alargamento dos contornos subjetivos”.

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