Birico – Poéticas autônomas em fluxo | Sesc Bom Retiro

DEScobrimento I, de Raul Zito | Lambe-lambe, 2018

O Sesc Bom Retiro exibe a exposição coletiva Birico – Poéticas autônomas em fluxo, composta por obras de mais de 40 artistas, coletivos e grupos que têm em comum a vivência, preocupação social e atuação sociocultural na região central de São Paulo, no território da chamada Cracolândia, no bairro da Luz. As criações são de diversas linguagens artísticas, como lambe-lambes, fotos, peças sonoras, obras tridimensionais e peças gráficas.

As pessoas que colaboram com a exposição trazem histórias e trajetórias sociais diversas, algumas delas enfrentando situações de rua e de vulnerabilidade social, e se reuniram por conta da relação com o território, suas transformações e desigualdades. O grupo de artistas que integra ou colabora com o coletivo Birico foi criado para dar suporte e gerar renda emergencial a artistas da comunidade local, frente à crise sanitária de COVID-19. A curadoria e organização da exposição são assinadas por integrantes do coletivo em parceria com a equipe do Sesc.

Birico – Poéticas autônomas em fluxo apresenta impressões de obras produzidas por artistas urbanos, como Mundano, Mag Magrela e Paulestinos; trabalhos originais de nomes da arte contemporânea como Renata Felinto e Monica Ventura; e de veteranos pouco conhecidos fora da Boca do Lixo (um dos apelidos dados à região do bairro da Luz), como Yori Ken, Índio Badaross e a poetisa Joh Bittencourt. A mostra conta, também, com registros de ações sociais organizadas pelo coletivo Birico na área conhecida por Cracolândia e recortes históricos que remontam aos últimos anos de presença cultural no bairro.

O lambe está entre as principais linguagens presentes na exposição. Este destaque se dá por sua relevância na arte da região. De acordo com um dos membros da comissão curatorial, Raul Zito, “a linguagem de lambe-lambe entrepassa toda a exposição e foi adotada pelo seu caráter informativo, que acompanha a história da presença artística no Território e é uma técnica acessível, que possibilita várias maneiras de intervenção e demonstra a potência de fala e resistência”.

Sem Título, de Raul Zito | Lambe-lambe, 2019

No espaço expositivo há, ainda, trabalhos inéditos que propõem uma reação sensível às tentativas de invisibilização da subjetividade do território chamado por Cracolândia e aos preconceitos locais.

O nome do coletivo, Birico, é utilizado para falar sobre a solidariedade entre artistas que atuam para fortalecer projetos na região. Segundo Julio Dojcsar, integrante da comissão curatorial da exposição, Birico é resultado de laços longínquos de parceria. “A formação do coletivo só foi possível pela confiança estabelecida nas contínuas ações executadas desde 2008, sejam elas de afeto e reconhecimento humano ou de uso da prática artística urbana como protesto ou instrumento para o cuidado do próximo”, comenta.

Para Pablo Vieira, outro membro da comissão curatorial, Birico – Poéticas autônomas em fluxo é um posicionamento da criativa coletividade do Território. “[A mostra procura demonstrar que] existe uma coletividade fecunda de imaginação e criatividade [na região].”

A exposição conta com 158 trabalhos – entre lambe-lambes, fotos, peças sonoras, obras tridimensionais e peças gráficas -, com colaborações dos coletivos Tem Sentimento, É de Lei e Craco Resiste. Birico – Poéticas autônomas em fluxo extrapola os limites do espaço expositivo, com obras que podem ser vistas nos gradis externos da unidade do Sesc Bom Retiro, no Teatro de Contêiner Mungunzá (Rua dos Gusmões, 43, Santa Ifigênia, São Paulo), ou pela Internet, nos conteúdos audiovisuais criados exclusivamente para a exposição.

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