Bienal de Macau | ArtFem

A Bienal de Macau – 2020 ArtFem, com trabalhos de 96 artistas mulheres de diversos países, terá a participação da artista carioca Gabriela Noujaim (1983), com a serigrafia “Mapas, Raposa Serra do Sol e Guardiões da Floresta” (2020). Prevista inicialmente para abrir no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março deste ano, a Bienal precisou ser reestruturada por conta da pandemia do covid-19, e será inaugurada no próximo dia 30 de setembro, ficando em cartaz até 13 de dezembro de 2020. As artistas são oriundas de vários países da Ásia e Europa, e ainda EUA, Canadá e Austrália.

A curadora portuguesa Leonor Veiga, que viveu em Macau até os dezoito anos, tem sua pesquisa focada na relação da arte contemporânea com a tradição – principalmente no sudeste asiático – e ao desenhar sua participação nesta edição da Bienal de Macau acabou por agregar a questão ambiental ao universo feminista que já acompanhava. Daí, o tema que une os trabalhos das mais de trinta artistas que convidou para a Bienal é “Natureza”. Colaborou para esta decisão o fato de que, em agosto de 2019, quando começou a desenvolver esta edição da bienal, “a Amazônia estava a arder, o que me deixou muito impressionada”, lembra. A partir dali, conheceu a produção de Gabriela Noujaim.

“Gabriela utilizou em seu trabalho um papel feito quase nos rudimentos do papel de arroz, e para mim é um dos mais bonitos, mais bem realizados da Bienal”, afirma a curadora.   Ela destaca ainda que o forte componente sociopolítico contido na obra não é óbvio, o que é importante, pois a Bienal “está em um contexto chinês”, e questões políticas ali são mais delicadas.

Gabriela Noujaim, nascida no Rio em 1983, explica que “os mapas das reservas indígenas nos alertam para o importante papel de preservação das florestas no Brasil”. “Nossas florestas pertencem a todos os brasileiros e cabe a todos cuidarem delas. Minha conexão com a Mãe Terra, entre outras coisas, é reconhecer também esta responsabilidade”. Ela conta que, no trabalho que estará na Bienal de Macau, “meu corpo se coloca sobreposto a uma árvore em meio a floresta da Tijuca, então cabe a mim também me posicionar para defendê-la”. Tendo a gravura como um de seus principais meios de expressão, Gabriela Noujaim observa que, embora no ocidente o papel não seja tão valorizado quanto uma obra em tela, “dentro da tradição chinesa o papel tem lugar destacado, e se tem um imenso respeito a obras feitas com ele”. A artista é representada pela galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea.

Leonor Veiga é ligada ao Centro de Investigação e Estudos em Belas-Artes Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, e autora de vários ensaios, como “Contemporary feminist voices” (2012) e o premiado “The Third Avant-Garde: Contemporary Art from Southeast Asia Recalling Tradition” (“A Terceira Vanguarda: arte contemporânea do sudeste asiático recorda a tradição”, de 2019, sua tese de doutorado na Leiden University, na Holanda.

As outras duas artistas brasileiras que participam da Bienal são Fernanda Lago (1986) carioca que vive em Petrópolis, e Clarisse Baumann (1988), também carioca, radicada em Montpelier, França.

Compartilhar: