Betina Guelmann apresenta “Corpo Gravado”, sua primeira individual. Com curadoria de Adriana Nakamuta, a exposição reúne cerca de 15 obras, entre objetos visuais, videoarte, esculturas e instalações feitas de linóleo, tipo de revestimento de piso usado por bailarinos. Betina, que possui uma carreira consolidada na dança, com especializações no Brasil e no exterior, há dois anos realiza uma pesquisa visual sobre a superfície que sustentou os movimentos de seu corpo ao longo da vida. O que era imóvel ganhou movimento, o que era suporte para os pés, como bailarina, virou suporte para as mãos, como artista visual, num paciente trabalho artesanal, onde entram dobras, cortes, costuras, colagem… A mostra abre no dia 6 de dezembro de 2025, sábado, às 10h, e vai até 17 de janeiro de 2026, no Largo das Artes, no centro histórico do Rio de Janeiro. A entrada é franca.
Feito de materiais naturais, como óleo de linhaça, resina de pinho, pó de cortiça e madeira, e uma base de juta, o linóleo é amplamente usado por bailarinos em palcos e salas de ensaio por possuir uma superfície lisa que permite bom deslizamento e aderência. Nessa exposição, o material ganha outros significados, como se a artista realizasse uma espécie de dança com ele. “O linóleo que usei nas peças é o mesmo sobre o qual dancei nos últimos 15 anos. Ele está impregnado com as marcas do tempo, tanto visíveis quanto invisíveis, físicas e simbólicas, tanto na frente como no avesso, incluindo as manchas de colagem no chão”, diz a artista, que integrou a famosa companhia “Vacilou, Dançou”, fundada por Carlota Portella, na década de 80.
Segundo Adriana Nakamuta, a exposição mostra uma série de peças feitas com base numa diversidade de técnicas, de soluções, de experimentações com o mesmo material. “O linóleo é resistente, durável, difícil de trabalhar. Ao mesmo tempo que é maleável, tem vontade própria. Durante o manuseio, muitos acasos e surpresas acontecem e isso me instiga”, diz a artista. “Embora seja a primeira exposição e a primeira individual de Betina, ela tem uma trajetória de pesquisa do movimento que agora se consolida na arte visual. A carreira toda dela de bailarina está de certa forma materializada nessa memória, nesse tempo e nesse linóleo. É o corpo físico Betina e o corpo linóleo com todas essas gravações do tempo. O título da exposição, ‘Corpo gravado’, é uma referência a isso”, conclui a curadora.

