Bernardo Mora | Sergio Gonçalves Galeria

Com texto de Denise Mattar, exposição do artista Bernardo Mora será inaugurada na Sergio Gonçalves Galeria, em São Paulo, no dia 18/11.

Legitimando a arte óptica e cinética no DNA de sua trajetória como artista visual, Bernardo Mora apresenta um recorte com obras de produção recente, a partir do dia 18 de novembro, na Sergio Gonçalves Galeria. Suas abstrações rompem com as relações conservadoras existentes e criam novas perspectivas através de texturas, estados ópticos e movimentos. Como ele mesmo define sua criação, trata-se de uma “abstractocromia lírica”, uma exploração da abstração através de ensaios permanentes de movimentos visuais de cor, padrões geométricos, progressões cromáticas, musicalidade rítmica e contrastes.

Arquiteto colombiano formado pela École d’Architecture Paris Val-de-Marne, Bernardo vive e trabalha em Curitiba. Após anos na Europa, retomou a produção artística no Brasil, onde desenvolveu um extenso acervo. Suas experiências em cidades como Caracas, Nova York, Paris e Barcelona ajudaram a aguçar seu olhar. Desde 2015, dedica-se integralmente à arte.

A mostra reúne cerca de 15 trabalhos em acrílica sobre tela, sendo alguns polípticos, entre médio e grande formatos. A visitação segue até o início de dezembro, na casa na Alameda Gabriel Monteiro, fechando a programação de 2025 no espaço, que completa mais de um ano estabelecido em São Paulo, mantendo galerias também no Rio de Janeiro e em Curitiba.

O texto curatorial é assinado por Denise Mattar:

A obra de Bernardo Mora insere-se numa linhagem que pulsa com o desejo de expandir a visão – não apenas como ato de ver, mas como vivência sensível, ativa e transformadora. Formado em Arquitetura pela École d’Architecture Paris Val-de-Marne, Mora migra do projeto construtivo para uma arquitetura de sensações, onde a tela se transforma em campo vibrátil, pulsante, inquieto. Seu vocabulário é marcado por aquilo que ele denomina “abstractocromia lírica”, uma síntese entre racionalidade geométrica e expressão sensível da cor em movimento.

Sua poética encontra ressonância na Op-Art , que emergiu com força nas décadas de 1950 e 60, com artistas como Le Parc, Vasarely, Agam e Bridget Riley. O movimento, ao contrário das tradições pictóricas anteriores, que exigiam contemplação passiva, era um convite à participação do espectador, através do uso de  deslocamentos rítmicos, tensões entre figura e fundo e efeitos visuais. Mora herda esse ímpeto de envolver o público, mas vai além: ele musicaliza a geometria, cromatiza o ritmo e oferece à visão uma dança em múltiplas direções.

As composições mais recentes do artista, datadas de 2025, como “Geometrias em mutação”, “Tessituras acústicas” e “Vibrações atemporais”, trazem à tona uma maturidade de linguagem e uma pulsação quase transcendentes. A cor não é preenchimento, mas substância viva; a linha não limita, mas vibra; a estrutura não se fecha, mas sugere abertura. São paisagens interiores que se desdobram diante do olhar, como partituras óticas que convocam a uma sinfonia visual.

Bernardo Mora, portanto, não apenas habita o território da arte ótica — ele o ressignifica com lirismo, emoção e arquitetura sensorial. Suas obras pedem tempo, presença e entrega. Não se revelam de imediato, mas seduzem pela maestria. Como espelhos do invisível, propõem uma experiência na qual o olho vê, mas também sente. Onde a cor vibra, mas também fala. E onde a geometria deixa de ser cálculo para tornar-se poesia.

Compartilhar: