Beré Magalhães | Youtube do Casa Cultural Vila Guilherme

Em atividade desde 2019, o Projeto Artistas Vivos convida artistas de diversas cenas para se apresentarem em espaços culturais com rodas de conversa. Com os olhos abertos para a periferia paulista, o objetivo Artistas Vivos é a valorização de artistas, produtores e intelectuais periféricos para potencializá-los em rede. Além disso, o projeto quer mostrar que os artistas desses territórios podem produzir qualquer tipo de arte.

“As produções clássicas e as formas de cultura formal são feitas e destinadas à elite, restringindo o conhecimento à essa classe. Queremos mudar essa realidade e quebrar o estereótipo das produções periféricas, mostrando que elas não estão só no rap necessariamente. Mas também se encontram nas artes visuais, nas danças, entre outras formas de expressão”, conta Dara Roberto.

Como expoente dessa arte que não se limita, Felipe Magalhães, mais conhecido como Beré, se apresenta no projeto com a exposição “Há o que é” de arte expressionista abstrata no espaço cultural Casarão da Vila Guilherme, zona Leste de São Paulo. Por conta da pandemia, não haverá visitação presencial e todas as obras estarão disponíveis no tour virtual do Casarão pelo Youtube com vídeo realizado pela Ukindi Produções.

A exposição tem como foco resgatar narrativas pertencentes às experiências individuais e coletivas do artista paulistano, com obras que apresentam forte relação com a cidade de São Paulo. Nas telas, Beré jorra seus quase 10 anos de vivência no campo das artes, que começou com o graffite.

Influenciado pelo dadaísmo, o artista traz, de forma não linear, a busca de questões que circundam o pensamento, desde a ideia criacionista do mundo, de outra perspectiva que não a ocidental, até a busca matemática da reflexão crítica.

Integrando vivência e estudo

Formado em designer gráfico, Beré Iniciou sua trajetória artística com intervenções urbanas, entre elas lambe-lambes, pixações, throw-ups e tags. Outros elementos também contribuem em seus processos criativos, como as percepções subjetivas da negritude, o culto aos Orixás brasileiro e a malandragem das ruas.

Integrando o conhecimento das ruas, o artista passou a expandir seu repertório. “A tinta spray caminho forneceu noção para uma pesquisa mais expansiva no meio da arte. Anos depois comecei a me entender como um criador de arte e busquei expandir meus conhecimentos sobre o assunto, indo à museus, galerias, exposições itinerantes e pesquisando em livros e na internet”, conta Beré.

Com sua pesquisa, mergulhou no expressionismo abstrato e nas influências na arte naïf, onde foca na sensibilidade dos temas abordados, buscando resgatar cenas e ações que o emocionam em seu cotidiano.

“Sou fortemente inspirado pelas minhas vivências no Candomblé ou as experiências do dia a dia – aqui enfatizo a realidade de uma diáspora negra e as noções de um corpo marginalizado num país subdesenvolvido. Porém, nem tudo dentro dessa caminhada são tristezas e dores. Também trago a alegria vivenciada do Samba, nos bares da minha cidade querida”, conta.

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