Barracas e Fachadas do Nordeste | Galatea Salvador

A Galatea Salvador abre a programação de 2026 com duas exposições paralelas. Na primeira, une-se à galeria Nara Roesler para inaugurar Barracas e Fachadas do Nordeste, coletiva que propõe um diálogo entre Montez Magno, Mari Ra, Zé di Cabeça, Fabio Miguez e Adenor Gondim a partir de obras que retratam paisagem urbana e cultural do Nordeste. E, no espaço expositivo do Cofre, apresenta Gabriel Branco: A luz sem nome, série de pinturas em que o artista aprofunda sua pesquisa que parte do corpo, da luz e da cor como elementos estruturantes da composição. Ambas as aberturas acontecem no dia 30 de janeiro e alinham-se ao calendário festivo da cidade, que celebra Iemanjá no dia 2 de fevereiro.

Com curadoria de Tomás Toledo, sócio-fundador da Galatea, e Alana Silveira, diretora da unidade Salvador, Barracas e Fachadas do Nordeste reúne mais de 60 obras, entre pinturas, fotografias e trabalhos em diferentes suportes, dos artistas Montez Magno, Mari Ra, Zé di Cabeça, Fabio Miguez e Adenor Gondim. A exposição toma como eixo temático as arquiteturas vernaculares que atravessam o cotidiano urbano e as manifestações culturais do Nordeste, propondo um diálogo entre diferentes gerações e linguagens.

Fachadas urbanas, platibandas ornamentais, barracas de festas populares e estruturas aparecem como elementos centrais da exposição, entendidos não apenas como construções funcionais, mas como formas carregadas de memória social e cultural. Esses elementos, recorrentes na paisagem nordestina, operam como dispositivos visuais e simbólicos que articulam práticas cotidianas, circulação urbana e expressão cultural.

Adenor Gondim e Montez Magno convergem ao destacar as formas vernaculares do Nordeste a partir de abordagens distintas. Gondim, fotógrafo convidado especialmente para uma série para a coletiva, apresenta registros das barracas que marcaram as festas de largo de Salvador, enquanto Magno é representado por obras das séries Barracas do Nordeste (1972–1993) e Fachadas do Nordeste (1996–1997), nas quais referências da cultura popular são sintetizadas por meio da abstração geométrica.

Já Fabio Miguez, artista representado pela Nara Roesler, investiga as fachadas de Salvador como um mosaico de variações arquitetônicas, a partir de um olhar atento sobre o casario urbano e suas composições formais, em que geometria e cor estruturam a pintura. Para a exposição, o artista realizou uma viagem de pesquisa a Salvador e à Ilha de Itaparica, da qual resulta uma série inédita de pinturas concebidas especialmente para a mostra.

A dimensão urbana e migratória da mostra se amplia com Zé di Cabeça, criador do Acervo da Laje, cujas pinturas derivam de um amplo inventário visual do subúrbio ferroviário soteropolitano e evidenciam seu processo de transposição do desenho para o azulejo e, posteriormente, para a pintura. Enquanto Mari Ra aproxima fachadas de Recife e Olinda encontradas na Zona Leste de São Paulo, revelando vínculos formais produzidos pelos fluxos migratórios nordestinos.

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