Baixa Resolução | Ateliê397

No sábado, dia 15 de fevereiro, o Ateliê397, atualmente localizado na Travessa Dona Paula, na casa 119A, dá início a suas atividades de 2025. O espaço independente que possui mais de 20 anos de atuação começa o ano com uma exposição coletiva intitulada Baixa Resolução, com curadoria de Érica Burini, membro da gestão do espaço.

A exposição Baixa Resolução tem como motivação a ubiquidade das telas na atualidade. Inaugurando 61 anos após o lançamento de Os meios de comunicação como extensões do homem, livro tão famoso quanto criticado de Marshall McLuhan, a curadoria busca traçar as consequências da onipresença dos media nas mais variadas atividades humanas e seus efeitos sobre o trabalho, o comportamento, a política, o consumo e o desejo.

São exibidos trabalhos de Amilton, biarritzzz, Coralina de Sordi, Kauê Garcia, Paulo Bruscky e Gabriel Mascaro, Pedro Gallego. Dentre as obras, há uma diversidade de mídias e linguagens. Há o vídeo feito na plataforma Second Life de Paulo Bruscky e Gabriel Mascaro, em que o diretor de cinema entrevista o artista conhecido por subverter e parasitar meios como os muros da cidade, o telegrama, o telex e outros; também estão contempladas pinturas de Amilton, artista popular alagoano, que tematiza os bastidores das gravações televisivas, com a aparição dos aparelhos celulares nas mãos, indicando a transformação do meio mcluhaniano fundamental; o álbum sonorovisual interativo de biarritzzz, que tensiona o conceito de afrofuturismo e questiona a noção ocidental de progresso; entre outras instalações, fotografias e objetos.

“O título da mostra possui um duplo sentido. Um que aponta para a defesa das imagens de baixa qualidade, tal como feito no texto de Hito Steyerl. E outro mais ludista, que remete ao ineficiente ou inoperante: baixa resolução como o que traz pouca resolutividade, indicando que a proliferação de máquinas, telas e automações não trará uma solução para o problema posto. Pelo contrário, vemos um aumento no consumo de energia e na degradação do planeta, para a alimentação de uma fome capitalista insaciável pelo desenvolvimento de tecnologias que apenas intensificam a desigualdade social e a concentração de renda em grandes empresas”, comenta a curadora Érica Burini.

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