Avante | Galeria Bolsa de Arte

Luzia Simons

A Galeria Bolsa de Arte celebra seus 40 anos de atuação com duas exposições simultâneas em suas sedes de Porto Alegre (01/12 a 12/02/2021) e São Paulo (de 10/12 a 12/12/2021) e lança um livro sobre a trajetória e o pioneirismo da galeria nesses 40 anos dedicados a impulsionar e consolidar o mercado de arte no Brasil.

A comemoração é marcada pelo lançamento de um livro amplamente ilustrado narrando sua trajetória, além de contar com depoimentos de 50 nomes importantes para a galeria: artistas, curadores e outros agentes que acompanharam sua atuação pioneira desde os anos oitenta. A edição bilíngue tem 160 páginas e teve coordenação editorial e pesquisa de Henrique Menezes, que também assina a curadoria das exposições.

A galeria representa hoje 39 artistas, contando com nomes fundamentais da arte contemporânea nacional, como Nelson Leirner, Carlos Vergara, Regina Silveira, Hugo França, Carlos Pasquetti, José Bechara, Saint Clair Cemin e Maria Tomaselli — em uma lista exaltando as relações mais longevas. Em quatro décadas, foram muitos os artistas que também passaram pela Bolsa de Arte: Wesley Duke Lee, Rubens Gerchman, Bruno Giorgi, Antonio Dias, Tomie Ohtake, Mário Cravo Neto, Gilvan Samico, Antonio Henrique Amaral, Daniel Senise, Angelo Venosa, Karin Lambrecht e Alex Flemming são alguns dos que estiveram à frente de exposições na galeria.

Nelson Leirner

TEXTO CURATORIAL

AVANTE

GALERIA BOLSA DE ARTE 40 ANOS

Henrique Menezes

A história da Bolsa de Arte parece confirmar que o tempo é composto por uma sucessão de eternidades. Mais do que isso, traçar uma cronologia percorrendo os 40 anos de atuação da galeria revela que cada gesto singular resulta em uma herança que se avigora com o distanciamento do tempo.

Em quatro décadas, uma miríade de artistas passou pela Bolsa de Arte: Wesley Duke Lee, Rubens Gerchman, Bruno Giorgi, Antonio Dias, Tomie Ohtake, Mário Cravo Neto, Gilvan Samico, Antonio Henrique Amaral, Daniel Senise, Angelo Venosa, Karin Lambrecht e Alex Flemming são alguns dos nomes que estiveram à frente de exposições monográficas ou coletivas na galeria. Somados a eles, referências fundamentais para a contemporaneidade fazem parte do grupo de representados: Nelson Leirner, Carlos Vergara, Regina Silveira, Hugo França, Carlos Pasquetti, José Bechara, Saint Clair Cemin e Maria Tomaselli — em uma lista exaltando as relações mais longevas. Foram mais de 250 exposições distribuídas entre os endereços de Porto Alegre e, desde 2014, também na filial em São Paulo.

Ao mesmo tempo testemunha e agente formador, a Bolsa de Arte presenciou — e igualmente atuou para impulsionar — a consolidação da arte no extremo Sul do país. A galeria apostou em novas manifestações visuais antes mesmo do surgimento de um aparato institucional dedicado à produção que emergia: a história da Bolsa de Arte antecede a criação do MACRS (fundado em 1992), a Bienal do Mercosul (sua primeira edição data de 1996) e a construção do icônico prédio da Fundação Iberê Camargo (entregue ao público em 2008).

Talvez, ao iniciar sua trajetória como galerista nos anos 80, Marga Pasquali não tivesse a nítida consciência do percurso indelével que estava construindo — apesar da certeza de que empreendia e despertava gradualmente um contexto inédito na produção artística contemporânea. Fundadora de seus próprios fatos, a Bolsa de Arte acolheu e concebeu mostras emblemáticas ao longo de sua história, conciliando iniciativas independentes com diálogos institucionais, conjugando artistas consagrados com talentos emergentes.

Confiante no impacto de sua atuação, a Bolsa de Arte expandiu fronteiras, desafiou-se em movimentos inéditos. Em 1987, um anúncio divulgava a iniciativa da galeria em capitanear itinerâncias de Xico Stockinger — na página impressa, uma foto do escultor era acompanhada pela mensagem: “Esse homem decidiu se expor nacionalmente. A Bolsa de Arte está fazendo tudo para que isso aconteça”.

Ao completar 40 anos, a galeria segue “fazendo tudo para que a arte aconteça”: mais que um slogan, uma certeza, um valor indissociável do projeto delineado por Marga Pasquali e um direcionamento que continua balizando cada um de seus gestos. Não se pode dirigir uma galeria sem conjugar sensibilidade com intuição, o rigor legítimo que conduz a Bolsa de Arte sempre avante.

José Bechara

Compartilhar: