Augusto de Campos | Luciana Brito Galeria

A Luciana Brito Galeria convida a todos para celebrar os 90 anos de Augusto de Campos. A partir de 14 de fevereiro (dia de seu aniversário), a galeria inaugura um espaço virtual exclusivo para
homenagear o artista-poeta, reunindo conteúdo especial com suas obras mais recentes, trabalhos históricos, além de textos e entrevista exclusiva com o artista. O objetivo é relembrar sua trajetória e representatividade para a memória cultural brasileira, oferecendo ao público uma vasta programação, com constantes atualizações.

A nova página do site também irá acompanhar a programação da Biblioteca Mário de Andrade, que planeja até o final do ano diversos eventos em homenagem a Augusto de Campos. Além da instalação “Cidade City Cité”, que já pode ser vista pelo público na fachada da instituição, a biblioteca inaugura a programação com a mostra “Transletras”. Com curadoria de Daniel Rangel e produção da N+1 Arte e Cultura, a exposição reúne um conjunto de obras históricas em letraset (letras adesivas transferíveis), resgatando uma fase importante no trabalho do artista, já que representa a transição da sua produção analógica para a digital.

Sobre Augusto de Campos

Augusto de Campos (1931, São Paulo) é um dos expoentes da Poesia Concreta no Brasil, além de ensaísta, tradutor, crítico literário e musical. Sua produção é permeada pela interdisciplinaridade
e experimentação da linguagem, através da ideia de “verbovicovisual” termo cunhado pelo artista para tratar da unidade dos diversos recursos artísticos, como palavra, som e imagem.

Na década de 1950, com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou a revista “Noigandres”, publicação do grupo homônimo que situou a poesia Concreta no Brasil. A ideia era fugir das sintaxes tradicionais do verso para dar lugar à liberdade de rearranjar as palavras, de forma a trabalha-las em todos os seus níveis de possibilidade, como em blocos espaciais gráficos e de cores. A obra  “Poetamenos”, 1955, traz um conjunto colorido de poesias inspirado na música do austríaco Anton Webern, publicado na segunda edição de “Noigandres”, e é considerada o primeiro exemplo de poesia concreta no Brasil. Em 1956, Augusto de Campos ajudou a organizar e participou da primeira exposição de Arte Concreta no Brasil, no MAM-SP, compondo o time de Waldemar Cordeiro, Geraldo de Barros, Luiz Sacilotto e outros artistas do Grupo Ruptura, além de seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari. A mostra representa um marco para a arte brasileira, que definitivamente adentrou a contemporaneidade.

Seus poemas visuais e poemas-objetos marcaram as décadas de 1960 e 70, sendo definitivos para posicionar Campos na vanguarda artística no Brasil. Os chamados “Contrapoemas”, por exemplo,
foram inicialmente produzidos e publicados nos anos de 1960, e ficaram conhecidos pelo tom de protesto em resposta ao contexto político de ditadura militar no Brasil. Dessa safra, “Luxo/Lixo”(1965) tornou-se um dos poemas concretos mais icônicos do artista. Também ficaram conhecidas as obras da série “Popcretos” (1964-65), com Waldemar Cordeiro, pequenos cartazes que traziam narrativas construídas a partir da combinação de imagens tipográficas de revistas e jornais. Além disso, marcaram época os poemas tridimensionais, ou “poemas-objetos”, como “Poemóbiles” e
“Caixa Preta”, realizados em parceria com Julio Plaza em 1974 e 1975, respectivamente.

A partir dos anos de 1980, o artista passa a flertar com eventos multimídias, utilizando-se das chamadas novas mídias, como néon, vídeo, laser, computadores, construções holográficas, etc. Desde então, intensificou-se as parcerias com profissionais que o ajudaram a hibridizar ainda mais sua produção. “Cidade city cité”, original de 1963, teve versão vocalizada em parceria com seu filho Cid Campos, em 1987. Já o poema “O Pulsar” (1975) ganhou música de Caetano Veloso, que também produziu seu videoclip em 1984. O poema compõe a série “Stelegramas” (1975) e é considerado o primeiro “poema constelação” do artista. Trata-se de um de seus melhores exemplos de construção poética, tanto pela precisão na composição, quanto pelo uso de artifícios de construção da linguagem, como a fragmentação e o espaçamento das palavras e linhas.

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