“Até logo, até já” | Museu Casa do Pontal

O Museu Casa do Pontal, referência em arte popular brasileira, com maisde nove mil obras de 300 artistas brasileiros – o maior e mais significativo acervo deste segmento no país–, estará aberto ao público de 3 de outubro a 8 de novembro de 2020. O motivo é o momento de despedida e de celebração, pois após dez anos de lutas constantes contra as inundações que passaram a assolar o raro acervo a instituição começa a transferir suas obras para a nova sede, na Barra da Tijuca, próximo à Cidade das Artes e do Barra Shopping, onde estarão em segurança. O Museu estava fechado desde março, por causa da pandemia do Covid-19.

Na exposição “Até logo, até já”, conhecida pelo público como “permanente”, pois contém destaques do acervo, estarão cerca de duas mil obras, que só serão transferidas para a nova sede na Barra da Tijuca em novembro, após o encerramento da mostra. As demais sete mil peças, guardadas na reserva técnica, ou em itinerância, já começam a seguir para o novo espaço em outubro.

Graças a campanhas de financiamento coletivo, a que aderiram entusiastas do Museu, foram retomadas as obras da construção da nova sede, que ficaram paralisadas por mais de dois anos. Lucas Van de Beuque, diretor-executivo do Museu diz que “este é um momento de agradecimentoe de boas notícias”.A diretora-curadora do Museu, Angela Mascelani, destaca: “Estamos dedicando esta reabertura na sede histórica, que durará um mês, aos afetos e aos corações. Aos que aqui se apaixonaram, aos que seguiram as trilhas da cultura popular, aos que dançaram em nossos jardins e terreiros. Aos que querem continuar nessa aventura multicultural”.

Durante a pandemia, o Museu Casa do Pontal promoveu lives em seus canais digitais, fazendo viagens temáticas pelas Festas Juninas de Pernambuco; pelo Bumba-meu-Boi, do Maranhão; pelos territórios culturais do Vale do Jequitinhonha, em Minas, e do Cariri, região que abrange Ceará, Pernambuco, Piauí e Paraíba. Um “terreiro virtual” com arte e manifestações de todo o Brasil.

Ao longo de seus 44 anos de história, o Museu coleciona fãs por toda parte. Entre os vários depoimentos que já recebeu, de artistas, pensadores, colecionadores, dirigentes de instituições culturais, empresários, entre outros, estão os de José Saramago, Gilberto Gil, Edgar Morin, Marieta Severo, Bia Lessa, Paulo de Barros, Otto, Osgêmeos, Emanoel Araújo e Danilo Miranda. Em texto anexo estão alguns trechos desses depoimentos.

PERCURSO COM OITO TEMAS

O percurso da exposição está dividido em oito temas: Profissões, Mestre Vitalino, Vida Rural, Ciclo da Vida, Circo, Arte Incomum, Religião e Ex-voto, e Escolas de Samba.

As obras ocupam os dois andares da casa, e são acompanhadas por textos explicativos em português, inglês e francês, ampliações fotográficas com imagens dos artistas e de festas populares. Produzidas desde meados de 1940 até hoje, as obras são representativas do universo cultural brasileiro, com suas variadas culturas rurais e urbanas.

As galerias mais atingidas pelas inundações fazem parte do circuito, mas sem acesso ao público. Próximo a sua entrada, estará o vídeo/instalação “Retirantes” (2019), de Martha Niklaus. O vídeo de 9’4″criado pela artista carioca, para a exposição de arte contemporânea “Inundação”, realizada no museu e curada por Marcelo Campos, faz referência às muitas inundações sofridas pela instituição entre 2010 e 2019. Inspirado nas obras de Mestre Vitalino e Zé Caboclo, presentes na exposição, o trabalho fala do “desmoronamento das figuras de barro que cria uma atmosfera apocalíptica e germinal, como as experiências limítrofes vividas nas grandes catástrofes, guerras, enchentes e pandemias”, explica Martha.

Obras que ficavam no mobiliário mais baixo foram retiradas para a reserva técnica, para não sofrerem riscos em eventuais enchentes.

MEDIDAS CONTRA O COVID

O Museu Casa do Pontal receberá em segurança o público. Não será necessário agendamento prévio, mas o uso de máscaras será obrigatório. Haverá aferição de temperatura, tótens com álcool gel espalhados pelo circuito expositivo, e controle de quantidade de visitantes na área interna. Os visitantes poderão usufruir da área externa, agrupados por núcleo familiar. A equipe de funcionários usará além de máscaras o protetor de rosto (face shield). Grupos prioritários terão atendimento especial.

MUSEU CASA DO PONTAL

Fundado em 1976 pelo artista e colecionador francês Jacques Van de Beuque (1922-2000), o Museu Casa do Pontal, instalado em um terreno de cincomil metros no Recreio dos Bandeirantes, no Rio, é referência em arte popular brasileira, e considerado o maior e mais significativo acervo do gênero no país, com mais de nove mil obras de 300 artistas. As peças reunidas são resultado de pesquisas e viagens feitas por Jacques Van de Beuque pelo Brasil desde a década de 1950 até 1990. Novas pesquisas e aquisições foram realizadas nas últimas décadas sendo conduzidas por Angela Mascelani, diretora e curadora do Museu do Pontal. Coleções de outros pesquisadores e apaixonados pela arte popular foram também doadas à instituição, ampliando a abrangência e relevância desse importante acervo.

Em seus mais de 40 anos de atividades, o Museu Casa do Pontal se empenhou em construir alicerces que permitem que o seu acervo seja socialmente protegido e amplamente usufruído. Mais de 2 milhões de pessoas estiveram ou participaram de algumas das múltiplas ações realizadas. Foram exibidas 70 exposições parciais do acervo no Brasil e em mais 15 países. No programa social e educacional, mais de 500 mil estudantes, desde 1996, fizeram visitas musicadas e teatralizadas ao acervo, vendo e ouvindo as histórias que formam essa grande colcha de retalhos culturais que é o Brasil. O setor de pesquisa, produziu conteúdos sobre os artistas e mestres da cultura popular, foram filmes, livros, catálogos, seminários e um amplo material disponibilizado no site da instituição e nas redes sociais. Fazendo do Museu do Pontal uma instituição que vibra e se aprofunda nas variadas expressões culturais do Brasil.

Para o sucesso de todos estes esforços, estão sendo essenciais as parcerias. Hoje os patronos do Museu do Pontal são BNDES, VALE e ITAÚ, além da parceria do IBRAM e Secretaria Especial de Cultura.

 

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