As Praças [In]visíveis | Casa Fiat de Cultura

Piazza Duomo, Milano | FOTO: Luca Campigotto

Espaços de convivência, socialização, atividades comerciais e manifestações culturais, as praças sempre foram consideradas um ponto público de grande importância para as pessoas e as cidades. Contudo, quais contornos esses locais ganham quando um evento de impacto mundial impede as pessoas de saírem de casa? O que acontece quando os elementos vivos são retirados das praças? Esses e outros aspectos arquitetônicos, culturais e urbanísticos serão discutidos pela Casa Fiat de Cultura e pelo Consulado da Itália em Belo Horizonte, com apoio do Istituto Italiano di Cultura San Paolo, na exposição virtual de fotografias “As Praças [In]visíveis”, em cartaz de 13 de julho a 12 de setembro. A abertura será marcada pela palestra “Liberdade de Percepções”, com a arquiteta Jô Vasconcellos, que vai destacar como esse espaço urbano se transforma e ganha novas funções, com o passar dos anos, usando, como exemplo, a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. O bate-papo será realizado no dia 13 de julho, às 19h. A participação é gratuita, com inscrições pela Sympla.

Na Itália, em Minas Gerais ou em qualquer lugar do mundo, a pandemia transformou o burburinho dos grandes centros urbanos em imensidão de silêncios, despertando um jeito diferente de enxergar as paisagens e a descoberta de diferentes desenhos da cidade. Com as praças, não foi diferente. Cenários simbólicos da convivência humana, elas ficaram, de repente, vazias. A mostra “As Praças [In]visíveis” propõe novo olhar sobre esses ambientes, ao reunir textos e imagens de 42 escritores e fotógrafos italianos, em diálogo que conecta cultura, beleza e cenários históricos, para revelar monumentos arquitetônicos que são verdadeiras obras de arte.

Ao perder, ainda que momentaneamente, a função social, as praças ganharam destaque sob outros aspectos, especialmente o arquitetônico. As linhas, os desenhos e os contornos deixam de ser moldura e se tornam primeiro plano, numa espécie de quadro visto de cima. Para destacar a beleza desses lugares, a exposição virtual “As Praças [In]visíveis” apresenta 21 fotografias autorais, acompanhadas de textos originais de escritores que têm alguma ligação com os espaços. As obras evocam memórias e experiências, em um convite para a reflexão sobre como nos relacionamos com os espaços urbanos de nossas cidades. As fotografias e os textos podem ser contemplados no site da Casa Fiat de Cultura, por meio do hotsite criado especialmente para a mostra. Além dos registros autorais, a página conta com podcasts sobre as praças e um catálogo para download.

Piazza San Marco, Venezia | FOTO: Luca Campigotto

Para o presidente da Casa Fiat de Cultura, Fernão Silveira, abordar os espaços de convívio social e materialização da cultura e identidade de um povo, sob nova ótica, tem um valor especial. “A exposição virtual ‘As Praças [In]visíveis’ pretende mudar nosso olhar rotineiro em relação a esses espaços públicos, para observarmos o que está por trás deles. Quando o foco de nossas lentes está nas estruturas arquitetônicas, podemos perceber que, na verdade, vivemos em um verdadeiro museu a céu aberto, acessível a todos, e que precisamos vivenciar essa arte”, analisa.

Cônsul da Itália em Belo Horizonte, Dario Savarese ressalta o caráter de encontro e centro de vivência política, econômica e social desses espaços para as cidades italianas: “Com a perda de sua função principal, as esplêndidas praças italianas, imortalizadas nesta exposição, nos convidam a fazer uma sugestiva viagem virtual em sua beleza, estimulando reflexões sobre esse momento único, por meio de histórias delicadas e íntimas”.

Marco Delogu, fotógrafo e curador da mostra, aponta que uma sensação de expectativa e suspensão envolveu lugares e as pessoas que os ocupavam, desde março de 2020. Pela primeira vez, as praças, símbolos de difusa beleza italiana, tornam-se lugares imaginários. Ele conta que decidiu, então, unir fotógrafos e escritores, para criar histórias próprias e muito representativas. “A relação entre fotografia e literatura é longa e repleta de excelentes resultados. Este projeto é um exemplo disso, respeitando a autonomia das duas linguagens, trabalhando na tênue fronteira, em que os limites são abertos, e reforçando a relação entre visões diferentes”, explica.

O historiador britânico Joseph Rykwert também deu contribuições à mostra. Segundo ele, a Itália é considerada o país das 100 cidades. E, em cada uma delas, há uma praça, especialmente nas mais antigas, desempenhando um papel notável para a sociedade. Ele defende que, embora haja perda de essência com os esvaziamentos populacionais dessas praças, o espaço vazio “oferece uma oportunidade única de ver suas geometrias complexas e a própria estrutura, que a multidão diária tantas vezes esconde”.

A exposição “As Praças [In]visíveis” é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Consulado da Itália em Belo Horizonte, com apoio do Istituto Italiano di Cultura San Paolo e do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, patrocínio da Fiat e do Banco Safra, copatrocínio da Expresso Nepomuceno, da Sada e do Banco Fidis. O evento tem apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além do apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil e da Brembo.

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