Uma parte pouco conhecida da trajetória de João Turin (1878–1949) pode ser apreciada em Curitiba com a exposição inédita As correspondências perdidas de João Turin. Por meio de imagens projetadas, dispositivos sonoros e vitrines, a mostra reúne cartas, documentos e fotos da fase parisiense do escultor João Turin, encontrados recentemente e que agora são apresentados ao público.
Nascido no Paraná, Turin viveu mais de uma década na Europa em um momento de intensa efervescência artística. Anos depois de se formar na Academia Real de Belas Artes de Bruxelas (Bélgica), se instalou no bairro Montparnasse, em Paris, onde manteve um ateliê que se tornaria ponto de encontro e circulação de ideias entre artistas de diferentes origens.
Ora remetente, ora destinatário o ateliê nº 20, situado na Rue Vercingétorix 52, foi um espaço por onde transitaram nomes referenciais do início do século XX, como Anita Malfatti, Victor Brecheret e Zaco Paraná, passando a construir uma rede viva de interlocuções artísticas. É justamente esse ambiente que a exposição busca revelar, a partir das correspondências trocadas ao longo dos anos.
As cartas evidenciam não apenas aspectos biográficos, mas também uma rede de relações que aproxima Turin com alguns dos nomes mais importantes na arte brasileira, como Malfatti e Brecheret que, posteriormente, chegaram a ocupar o mesmo ateliê do escultor na capital francesa. Esse dado reforça a inserção do artista em um contexto que dialogava diretamente com as transformações estéticas que dariam origem ao modernismo.
Essas cartas permitem compreender melhor a inserção de Turin no circuito artístico e reforçam a dimensão de sua trajetória. Durante sua permanência na França, ele foi contemporâneo de grandes nomes que circulavam pelo ambiente artístico daquele país no início do século XX, como Auguste Rodin, Picasso, Modigliani, Soutine, Gris, Brâncusi, Man Ray e Tarsila do Amaral. A descoberta dessas correspondências ajuda a situar João Turin de forma mais precisa no tempo e no espaço, ao lado de nomes como Victor Brecheret e Anita Malfatti, que herdaram seu ateliê na França, na mesma época.
Além do valor histórico, a mostra propõe uma experiência imersiva, por meio de projeções de imagens, exibições de documentos originais e recursos sonoros que permitem ao visitante ouvir trechos das correspondências, aproximando o público das vozes e das relações que marcaram o período.
Ao reunir documentos inéditos e revelar conexões até então pouco exploradas, a exposição lança novos olhares sobre João Turin, não apenas como escultor, mas como agente ativo de um momento decisivo da história da arte. A mostra é realizada pelo Acervo João Turin, com curadoria de Rafaela Tasca e Cecilia Bergamo, e apoio do Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC) e da Prefeitura de Curitiba.


