Arthur Omar lança "Antes de Ver" no Oi Futuro Ipanema

Anjos, animais, monstros, fantasmas, deuses. Figuras que assolam o inconsciente brotam em imagens. A água agitada pelo vento faz emergir um mundo soturno e encantado. Figuras em gotas. Imagens que se delineiam no instante que antecede a percepção física do olhar de quem as produz.

É esta a matéria de que é feito o livro Antes de ver: fotografia, antropologia e as portas da percepção, nova obra que o fotógrafo, cineasta, artista plástico e escritor Arthur Omar lança dia 18 de dezembro, no Oi Futuro Flamengo. A obra, editada pela Cosac-Naify, apresenta 160 fotografias, textos teóricos e um inusitado “índice irremissivo”, que reúne os conceitos da nova teoria fotográfica desenvolvida pelo autor.

As imagens, perturbadoras e misteriosas, se somam a uma escrita de alta voltagem – poética, intuitiva e rigorosa, não isenta de ironia. Em seu conjunto, fotos e textos tratam do jorro de sensações que vêm à tona antes do “ver” propriamente dito – projeções e estruturas imemoriais que o fotógrafo capta.

– O observador vai gostar de entender que o livro é construído como uma sequência de ideias de complexidade ascendente – diz Arthur Omar. – O mesmo se dá com as imagens, para que no final tudo faça sentido – explica.

Segundo o autor, os conceitos emitidos buscam fornecer uma plataforma, um instrumental para pensar a prática da fotografia em geral. – O que se constrói ali não é exclusivo do meu trabalho – ressalta. Ao contrário, visa recolocar em novas bases a reflexão sobre a fotografia, centrando o foco sobre o que acontece antes de ver, e não na relação entre sujeito-objeto-câmera. É um recuo para dentro da experiência, e por que não dizer, do cérebro – conclui.

O livro em dez caminhos

Antes de ver se divide em dez capítulos: Atração, onde se introduz o conceito de pré-rosto (movimentos vertiginosos no interior da imagem fixa); Luz, onde se demonstra a luz de duas maneiras: como iluminação e como substância (a luz no interior da pedra, por exemplo); Pérola (onde a Menina com Brinco de Pérola, de Vermeer, reina absoluta e produz os principais efeitos do livro, do clichê ao arquétipo); Oceano, que apresenta a fotografia como pesca oceânica e a câmera como rede; Processo, que fala da relação sujeito-objeto na nova fotografia (perceber a percepção); Ótica, que propõe uma nova ótica para conviver com a ótica Euclidiana (ciência da prefiguração fotográfica); Trajeto, onde se introduz a linha que vai do olhar à coisa, distância impossível de ser medida; Segredo, capítulo central, onde se expõe a técnica da atração fractal – recuar na linha da percepção antes que a coisa adquira um nome; Desejo, onde o desejo consegue rebaixar a presença do objeto; Humano, antropologia instantânea, ou a arte de retomar o que foi começado a séculos; e Ato final, onde se expõe uma teoria da exposição como escrita do espaço.

O artista

Arthur Omar é cineasta, fotógrafo, artista plástico e escritor. Tem contribuição marcante em cada uma das áreas em que atua, aliando inovação tecnológica a uma grande intensidade dramática. Seu longa-metragem Triste Trópico é considerado um clássico do cinema brasileiro. Participou de duas Bienais de São Paulo: em 1997 com a série fotográfica Antropologia da Face Gloriosa, objeto de livro com o mesmo nome, e em 2002 com imagens captadas no Afeganistão central, na região de catástrofe entre Cabul e Bamyian, origem do seu livro Viagem ao Afeganistão, prefaciado pelo filósofo italiano Antonio Negri. Outros livros são O Zen e a Arte Gloriosa da Fotografia, O Esplendor dos Contrários e Lógica do Êxtase. Teve exposições individuais no CCBB do Rio e São Paulo, como Esplendor dos Contrários (2001), com imagens em 3D. Outras exposições: Frações da Luz (2001), Demônios, Espelhos e Máscaras Celestiais, e Um Olhar e Sete Véus.

No Oi Futuro, apresentou duas exposições: Zooprismas (Rio de Janeiro, 2006), conjunto de 12 vídeoinstalações, apontada pelo O Globo como a melhor exposição do ano; e As Portas da Percepção (Belo Horizonte), com fotografias e instalações. No exterior, merecem destaque a retrospectiva de seus filmes e vídeos no Museu de Arte Moderna de Nova York (1999); as participações nas Bienais de Valencia (20000, do Mercosul (1999) e de Havana (2000); Babel-Museu de Arte Contemporânea/Coreia (2002);, Arco Madrid (2000, 2003, 2007) e Lisboa Photo 2003, na qual ocupou a totalidade do Pavilhão de Portugal com uma grande retrospectiva de suas fotografias em preto e branco.

 

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