Arte Atual – Somos aquelas que permeiam o abismo em busca das frestas | Instituto Tomie Ohtake

Chama Base | FOTO: Ana Lira

Neste ano de 2021, o Arte Atual – programa do Instituto Tomie Ohtake iniciado em 2013 que visa promover projetos experimentais e novos debates sobre arte contemporânea –, foi reformulado a fim de abarcar uma produção mais plural e com procedências das mais diferentes regiões do país. Esta edição conta com um grupo de fomentadoras que decidiu apoiar a pesquisa de jovens artistas mulheres, promovendo a pesquisa e a difusão de suas produções. Trata-se da Aliança Tomie Ohtake que tem em seu cerne o comprometimento com a cultura e a visibilidade da produção de mulheres, levando adiante o legado da artista Tomie Ohtake e de seu Instituto.

A 9ª edição do Programa Arte Atual, intitulada “Somos aquelas que permeiam o abismo em busca das frestas”, com curadoria de Priscyla Gomes, faz alusão a um dos trechos do poema Espreita da artista visual Ana Lira. A escolha do poema é fruto de uma série de conversas entre a curadoria, a artista pernambucana, a fotógrafa baiana Helen Salomão e a carioca Laís Amaral. “O poema aglutina pautas comuns que permeiam os trabalhos dessas artistas, bastante vinculadas com a escrita e a produção poética, e que exploram nas suas articulações, a fotografia, a pintura, os conceitos de vivência e coletividade, a afetividade, a memória e o legado colonial”, destaca a curadora.

Segundo Priscyla Gomes ainda, permear o abismo e encontrar frestas evidencia alguns dos desafios constantes de suas práticas, muitas vezes cerceadas pelos condicionantes e hierarquias impostos pela sociedade patriarcal e visões canônicas da Arte. “As produções contidas na mostra são fruto das potências disruptivas dessas artistas afirmando-se sujeitas dos próprios discursos e de suas histórias”, completa. Os trabalhos apresentados, nas palavras da curadoria, trazem “uma profunda articulação entre corpo, voz, prática, coletividade e ética.”

A mostra também busca refletir como é possível retomar espaços de coletividade no contexto pandêmico. “A ocupação das salas expositivas, após esse longo período de quietude e exílio fadado pelo abismo da pandemia que nos assola, é um chamado coletivo à vida e a novos caminhos. Por intermédio de seus trabalhos, Ana Lira, Helen Salomão e Laís Amaral abrem frestas pulsantes e contundentes para novas perspectivas decoloniais da prática artística.”

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