Armarinhos Teixeira e Arthur Arnold | Matias Brotas Arte Contemporânea

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De 15 de abril a 28 de maio, a Matias Brotas arte contemporânea receberá sua primeira exposição de 2021, O mundo ao redor, que trará obras inéditas dos artistas Armarinhos Teixeira e Arthur Arnold. Com curadoria de Marcus de Lontra, a mostra será composta por pinturas, esculturas e instalações dos artistas, que passam a ser representados pela galeria a partir deste ano.

Confira a programação

15/04: Inauguração online com vídeo da exposição no Instagram da galeria https://instagram.com/matiasbrotasarte
22/04: Live com: Marcus Lontra, Lara Brotas, Flávia Dalla e os artistas Armarinhos Teixeira e Arthur Arnold no Instagram da galeria
29/04: Instagram takeover com Arthur Arnold no Instagram da galeria
13/05: Instagram takeover com Armarinhos Teixeira no Instagram da galeria

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Confira abaixo texto de Marcus de Lontra para a mostra

Há um mundo que nós vemos; há também um mundo que nos observa. O mundo existe fora de nós, paisagens externas, mas ele se cria dentro de nós, nas nossas interpretações e saberes daquilo que percebemos. Em cada olhar um fenômeno da percepção se estrutura nesse caminho de ir e vir, nessa vereda de voltar e prosseguir e a arte é a instância que manipula essas curiosas equações entre o tempo e o espaço. Entre mim e você há uma infinidade de pontos e linhas que nos unem e nos afastam. Essa é a delicada situação que permeia a relação entre o Eu e o Outro, e por isso mesmo a duplicidade é a essência que perpetua a espécie e constrói a história. Vivemos, constantemente à espera de alguém; alguém que nos observe,alguém que nos abrace, alguém para entender, alguém para afastar, falar, fazer, criar.

No campo das artes costumamos dividir as exposições, classificando-as como individuais ou coletivas.  Há, entretanto, a proposta que parece agradar à Galeria Matias Brotas: mostra de dupla de artistas. Claro está que se trata de uma mostra individual, onde cada artista elabora um conjunto de obras que propõem um conjunto coeso formal e conceitualmente, mas é inegável que, apresentados num mesmo espaço físico, acabem por provocar no espectador a curiosidade comparativa, percebendo em cada conjunto artístico as suas qualidades intrínsecas, mas também buscando ferramentas mentais que relacionem, seja pela aproximação, seja pelo afastamento, diálogos entre os trabalhos.

Armarinhos Teixeira constrói objetos que parecem obedecer às leis da botânica. Os materiais inusitados são rígidos mais também maleáveis e suas dobras barrocas sugerem casulos, santuários da reprodução. Elas são estranhas colmeias que parecem sugerir um mundo futuro no qual a presença humana é apenas um resquício do passado, algo que se foi, algo que se perdeu. Mas elas são paradoxalmente, obras sem memória, e se inserem na paisagem do presente como elementos de permanência a provocar no espectador o instigante desafio de decifrar. A arte e a esfinge.

Arthur Arnold, fala de um mundo povoado pela multidão. A base de sua imagem é fotográfica, registro de seres que se aglomeram, que choram, dançam, amam e odeiam.  A individualidade aqui se esconde pela potência do coletivo, seres sem rosto, anônimos.  A arte aqui é procissão, carnaval, algazarra, mas é também dominação, poder e controle. O artista nos fala de uma sociedade manipulada pela comunicação de massa, das pessoas tratadas como números, cordeiros, consumidores. Porém, em meio a esse tumulto, o cromatismo intenso parece sussurrar que a beleza redime e a luz encanta.

Portanto, Armarinhos fala de um mundo supostamente distante no qual a presença humana é apenas um registro, um silêncio, um retrato do esquecimento.  Arthur por outro lado fala do mundo presente, das estratégias de poder e dominação, “da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. Entretanto – e eis aí um dos mistérios da arte –o mundo futuro de Armarinhos parece ter se transformado, nos tristes tempos pandêmicos em que vivemos, no mundo presente. E, por outro lado,o mundo presente nas pinturas de Arthur com suas multidões e aglomerações sugere  um momento futuro onde possamos de novo reunir e abraçar.

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