Araken | Centro Cultural Correios

Depois de hiato de 10 anos, Araken expõe pela primeira vez telas figurativas, com curadoria de Fernando Cocchiarale

Conhecido pela sua produção abstracionista, Araken apresenta, até 5 de janeiro de 2020, sua primeira exposição com trabalhos figurativos, passada uma década desde a sua última individual. “Mameluco” ocupa três salas no 3º andar do Centro Cultural Correios com pinturas coloridas em técnica mista de grandes formatos – algumas chegam a medir 5 metros -, esculturas e “penduráveis” (definição do artista para as instalações que pendem do teto). As telas são “povoadas” por tipos populares brasileiros, como negros, índios, caboclos e mamelucos, que dão nome à exposição, tendo como pano de fundo abstrações. Aviador, filósofo, teólogo e  arquiteto, além de artista, Araken coordena um grupo de estudo do pensamento brasileiro, o que o influenciou bastante na escolha deste título, uma vez que era o termo empregado na época do Brasil Colônia para designar mestiços de índios com brancos. Ou seja, a origem de toda a miscigenação brasileira.

“Um aspecto relevante a ser destacado é o encontro das culturas em novo território. Chegando nestas terras, o conquistador português já encontrou os indígenas, incorporando ao território, logo depois, o trabalho escravo do negro africano. As peculiaridades de cada uma dessas etnias, somadas, gerou uma verdadeira miscigenação cultural, que hoje perfaz concretamente a nossa cultura”, afirma Araken.

“Confrontado com os tipos populares retratados nas dez pinturas de grandes formatos em exposição, o título da mostra tem sua significação ampliada para além do processo de miscigenação de índios e brancos sugerida pelo título. Muitas dessas telas nos mostram outras formas de mistura étnica que compõem o mosaico populacional brasileiro. Nestas pinturas, negros, índios, caboclos e brancos são frequentemente extraídos e isolados dos contextos histórico-antropológicos específicos em que circulam cotidianamente. A solidão dos retratados nestas telas sugere, por analogia, o isolamento classificatório dos discursos e das ilustrações dos viajantes dos séculos XVIII e XIX”, analisa o curador, Fenando Cocchiarale.

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