Aqui, Daqui – Galeria Vermelho

A Galeria Vermelho apresenta “aqui, daqui”, a exposição que marca a reabertura da galeria.

Até o início de 2021, projetos instalativos de diversos artistas vão se sobrepor na sala principal da Vermelho por períodos indeterminados, criando leituras e aproximações entorno de uma reflexão a respeito do período de reclusão, da pandemia, das diversas crises nacionais e do fazer artístico.

A exposição poderá ser visitada presencialmente ou acompanhada pela exposição digital no link a seguir, no site da galeria ou nas redes sociais da Vermelho: https://galeriavermelho.viewingrooms.com/viewing-room/7-aqui-daqui/

A primeira intervenção é Infiltração, pintura mural de Henrique Cesar. A pintura imita marcas de umidade decorrentes de vazamentos que se tornam visíveis quando a camada interna da parede já está corrompida.

Em sua pesquisa, Henrique Cesar busca entender como o corpo se relaciona com a ausência de materialidade, dando forma a forças aparentemente invisíveis que se desdobram em desenhos, pinturas, vídeos e objetos, empregando elementos das ciências exatas e bioquímicas. Seu interesse não se concentra apenas na potência do desconhecido ou em seus efeitos, mas também em forças ocultas que “cercam, atravessam e invadem os corpos”. De que maneira essas forças e o que fornece resistência a elas revelam características do contexto social e político atual, cabe ao espectador elaborar.

Estão programas também intervenções de Leandro Lima, Gabriela Albergaria e Fabio Morais. Novos nomes serão anunciados com o decorrer da exposição.

Como chegamos aqui? O que acontecerá daqui prá frente? Voltaremos ao velho mundo ainda mais acelerados para compensar o período da pausa imposta que vivemos, ao invés de perceber que é chegado o momento de revermos nossas práticas diárias para de certa forma, lembrando de Ailton Krenak, “adiarmos o fim do mundo”?

­­Este período de deriva existencial precisa ser enfrentado, já que nossas certezas parecem ter sido dissolvidas. No momento, há muito mais perguntas do que respostas, mais dúvidas do que certezas. A insegurança e a ansiedade geradas pela pandemia e a falta de perspectiva para um futuro mais justo sugere que poderemos ter que conviver com o não saber por algum tempo, em busca de um equilíbrio possível em meio a precariedade. Afeto e solidariedade são atitudes que precisam ganhar relevância no mundo atual.

A Arte não ficou fora da fragmentação causada pela pandemia. Desde março de 2020, exposições, concertos, espetáculos e uma infinidade de outros eventos foram cancelados, fragilizando ainda mais um sistema sob ataque governamental no Brasil atual.

A Vermelho fechou suas portas em 14 de março. O programa de exposições foi interrompido e eventos como a Verbo foram cancelados. A galeria decidiu então que estar em suspensão seria a melhor resposta para a crise sem precedentes que se avizinhava.

Embora ainda não seja possível retomar atividades com público presente, programou ações sequenciais que ocorrerão no cubo branco sem data de início ou de encerramento. Essas ações serão documentadas e disponibilizadas para visualização nas redes da Vermelho como num clip cinematográfico.

O programa apresentará instalações, projeções, ações e performances de artistas da galeria que se desdobrarão no tempo como imagens tridimensionais.

O cubo branco será ocupado inicialmente por um trabalho que, após um período indeterminado que pode variar de alguns dias a semanas, dividirá o espaço com a obra de outro artista. Partilhando do mesmo tempo e espaço, esses trabalhos estarão em busca de explicitar vínculos a partir da convivência, em uma espécie de desdobramento do confinamento a que estamos submetidos. Sendo este um texto sobre Arte, seria possível usar o termo contaminação de uma obra pela outra, mas em uma situação de catástrofe pandêmica, a beira de um milhão de mortos no mundo, está na hora de evitar o termo contaminação e usar algo mais adequado. É o momento de um distanciamento afetivo.

Esta série de ações que ocorrerá no cubo branco, será repetida com dois trabalhos em uma dinâmica que busca criar novos significados por meio da coabitação: juntos, mas separados. Assim, a convivência entre formas e conceitos será construída em termos relacionais. Nosso interesse está voltado para as formas em que obras se amalgamam no espaço.

“Aqui, daqui”, que serve como título do programa, implica um processo de convivência que garante a possibilidade de coabitação na diferença. As obras que o integram afirmam sua existência no fato de ser possível percebê-las como imagens em movimento que preservam o gesto original do artista, mas que ao mesmo tempo criam um centro de indeterminação por estarem sujeitas a uma variedade de reações possíveis ao que é percebido. Neste sentido, ela abole a rigidez mítica da obra e a insere no campo do movimento e do trânsito permanente. 

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