Antonio Henrique Amaral | Casa Triângulo

Antônio Henrique Amaral, Untitled, 1956

Casa Triângulo tem o prazer de apresentar Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso, primeira exposição de Antonio Henrique Amaral (1935 – 2015) na galeria, com curadoria de Pollyana Quintella e Raphael Fonseca.

Múltiplo e polifônico, Antonio Henrique Amaral (1935 – 2015) empenhou-se em construir uma obra que resistisse a sentidos unívocos. Suas mais de seis décadas de produção nos legaram um percurso multifacetado que vem sendo matéria de revisões recentes através de ensaios e exposições monográficas que situam o artista para além das suas icônicas e emblemáticas Bananas, realizadas entre 1968 e 1975.

A mostra Antonio Henrique Amaral: Pelo Avesso se soma a este esforço ao estabelecer um recorte menos usual da produção do artista, interessada em recontextualizar trabalhos cuja centralidade é o corpo e suas mais variadas negociações. Veremos, ainda nos anos 1950 e 1960, obras em desenho e gravura — fundamentais para a formação de Amaral — que já apontam figuras antropomórficas deformadas e transfiguradas, pondo em crise os parâmetros de representação na busca por um gesto mais expressivo, fantástico e delirante. Em seguida, a pintura dos anos 1970 manifesta a fusão de máquinas e corpos, metais e vísceras, de modo a questionar os limites entre natureza e cultura e nos provocar a reconhecer o corpo permeado pela dimensão tecnológica. Mais adiante, os anos 1990 presenciam a série Torsos, com silhuetas alongadas, destituídas de qualquer identidade e suspensas no tempo e no espaço; enquanto os anos 2000 apresentam desenhos em composições que beiram os limites da abstração e sugerem fragmentos estilhaçados feito microrganismos em profusão, típicos dos exercícios de zoom in e zoom out tão bem explorados pelo artista.

Apesar das singularidades de cada época, é possível circunscrever o corpo enquanto eixo profícuo que atravessa a produção de Amaral, seja como pretexto para as mais variadas experimentações plásticas, seja como cerne da investigação dos limites do sujeito, sua identidade e seus embates políticos. Nesse trânsito, Amaral soube conjugar o pessoal e o político; o íntimo e o coletivo, numa obra transpassada pelas influências da cultura de massas, da cultura popular e pelos dilemas de seu próprio tempo.

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