Anna Bella Geiger | MAST

Aquele momento histórico em que o astronauta estadunidense Neil Armstrong deixou sua pegada em solo lunar e disse a célebre frase “Este é um pequeno passo para o homem, mas um salto gigante para a humanidade”, em 1969, será comemorado em grande estilo pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) no dia em que se completam os 50 anos da chegada do homem na Lua, em 20 de julho. Uma das mais prestigiadas artistas visuais do país, a criadora carioca Anna Bella Geiger irá exibir, na mostra individual Uma Visão Lunar, dez serigrafias históricas da série batizada de Fase Lunar, desenvolvidas com base em uma fotografia cedida pela NASA em 1970 e que tem exemplares em coleções internacionais como a Fondation Cartier pour L’Art Contemporain, de Paris. Outra exposição a ser inaugurada na mesma data é Lua Nova: 50 Anos de Uma Jornada Lunar, com variados trabalhos criados pelos alunos do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio nas áreas de Projeto de Produto, Comunicação Visual, Mídia Digital e Moda, com trajes e acessórios inspirados pelo tema.

Além das exposições temporárias, o público também poderá visitar o Pavilhão da Luneta 21 e ver o instrumento óptico usado por pesquisadores brasileiros que participaram Programa Apollo, iniciativa da NASA responsável pela ida do homem à Lua. Entre 1968 e 1970, o Observatório Nacional participou da empreitada na observação de fenômenos de curta duração de luminescência na superfície lunar. Coordenados por Ronaldo Rogério de Freitas Mourão (1935-2014), ex-diretor do ON e fundador do MAST, grupos de cientistas faziam a observação durante toda a noite através da Luneta Equatorial de 21cm. Quando era detectado algum tipo de luminosidade temporária na face da Lua, no período em que os astronautas estavam lá, os observadores brasileiros identificavam o fato pela sigla TLP (do inglês, Transient Lunar Phenomena) e comunicavam à Embaixada Americana, que, por sua vez, transmitia a informação à NASA. Estes dados foram incluídos na LION (Lunar International Observers Network), um programa mundial de observação dos fenômenos da Lua.

“É uma enorme satisfação para nós do MAST celebrar o cinquentenário desta conquista que elevou a ciência a outro patamar e mostrar ao público o Pavilhão da Luneta 21, onde pesquisadores brasileiros do Observatório Nacional trabalharam ativamente do Programa Apollo, a empreitada da NASA que levou o homem à Lua. Sem falar no orgulho de exibir aos visitantes obras de arte históricas e pouco conhecidas da querida Anna Bella Geiger e trabalhos inovadores de jovens designers da PUC”, comenta Anelise Pacheco, Diretora do Museu de Astronomia e Ciências Afins.

Após honrar o MAST, em 2018, abrindo a série de exposições temporárias com a individual Local da Ação, que permaneceu em cartaz entre outubro e fevereiro de 2019, Anna Bella Geiger prestigia o Museu mais uma vez com suas obras em técnica mista que serão exibidas no belo Pavilhão do Círculo Meridiano de Gautier, no Campus do MAST. Um dos trabalhos deste acervo é a fotosserigrafia Lunar I, de 1973, que virou pop no ano seguinte, depois que a imagem foi licenciada para uma editora estampar a capa de cadernos escolares. “Esta foto foi cedida a mim pela NASA em 1970. Era muito recente o impacto da viagem do homem à lua. Tecnicamente, era inédita essa junção de serigrafia em cor e fotosserigrafia, ainda mais de uma foto cedida pela NASA. Continuei a trabalhar com outras imagens da superfície lunar também cedidas pela Agência Espacial Americana”, lembra Anna Bella Geiger.

A próspera parceria entre o MAST e a PUC-Rio, iniciada em 2018 com a bem-sucedida exposição Experiências Virtuais em Realidades Digitais, rendeu frutos. Desta vez, os trabalhos desenvolvidos em diversos suportes ficarão expostos no andar térreo no Prédio-Sede. Lua Nova: 50 Anos de Uma Jornada Lunar retrata a visão dos alunos do Departamento de Artes & Design da PUC-Rio acerca da chegada da humanidade à Lua e os impactos resultantes desta conquista. Os trabalhos variados contam um pouco da história da corrida espacial e instigam a reflexão sobre o papel da ciência, da tecnologia e da sociedade na construção de nosso futuro. “Lua Nova é uma exposição que nos leva não apenas a observar o satélite com novos olhares, mas também a pensar na Terra como nossa origem”, afirma Marcelo Pereira, Coordenador Adjunto de Tecnologia Departamento de Artes & Design da PUC-Rio.

Integram esta mostra as instalações Marta, temos um problema (intervenções no espaço do museu referentes às mulheres indispensáveis para a concretização da ida do homem à Lua), Mira (que explora noções de perspectiva para revelar um novo olhar sobre a Terra a partir da ida à Lua), Solitude (ambiente de introspecção que por meio de projeção em uma esfera e imersão sonora, traz os significados da Lua e sensação de solitude) e Missões Apollo (que expõe fatos e curiosidades sobre os programas realizadas para levar o homem à Lua). Entre os trabalhos em vídeo dos alunos da PUC estão Diana e a Lua (animação que conta a jornada de uma criança para se tornar astronauta e chegar à Lua), No mundo da Lua (curta-metragem interativo que narra como a personagem Luna foi parar em uma realidade onde o homem não foi à Lua), Ponto Cego (curta-metragem, com duração de 5 minutos, que gera uma reflexão acerca da presença humana na Terra), Expedição Apollo (painel interativo, cuja proposta consiste em demarcar o percurso e os principais momentos da expedição Apollo 11 por meio de controles e tela), além do aplicativo Com Amor, Lua (software de Realidade Aumentada que leva o usuário a uma jornada em busca das cartas ‘escritas’ pela Lua e espalhadas pelo museu).

Na tarde de inauguração da mostra Lua Nova: 50 Anos de Uma Jornada Lunar, as 18h, haverá um desfile, apresentando as criações dos futuros designers de moda da PUC. Neste conjunto estão Ultraselene (coleção de adornos inspirada em outras luas do sistema solar, que transgride o conceito de acessório), Represente! (uma releitura do tradicional traje de astronauta, com inspiração em personalidades como Elza Soares, Malala Yousafzai e Marielle Franco), Mulheres que Aproximam o Ser Humano da Lua (coleção que expressa a figura feminina como protagonista na área de observação, admiração e estudo científico) e There’s a Starwoman Waiting in The Sky (coleção conceitual inspirada nas mulheres que contribuíram para a corrida espacial, inspirada na estética alienígena de David Bowie).

 

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