André Venzon | Galeria Edmundo Rodrigues

Após dez anos de sua última exposição individual em Bagé, no Museu da Gravura Brasileira, André Venzon retorna à cidade com EXTEMPORÂNEO – Tudo tem o seu tempo. A mostra reúne cerca de 50 obras e marca o início da itinerância do projeto, com curadoria da bageense Ana Paula Caneda.

A exposição apresenta uma produção que toma a cidade, seus objetos e suas transformações como matéria de investigação. O tapume, elemento recorrente na obra de Venzon e marcado por sua característica cor rosa, aparece como símbolo e documento de uma paisagem urbana em permanente mudança. Fotografias, serigrafias, postais, mapas, tapeçarias, brinquedos, pratos, balaclavas e outros objetos ampliam essa pesquisa, aproximando diferentes linguagens e modos de olhar para o espaço que habitamos.

É dessa relação entre tempo, cidade e transformação que surge o título EXTEMPORÂNEO. Para a curadora, o termo traduz a ideia de “existir fora do compasso do próprio tempo, habitando uma temporalidade que desafia o presente imediato”. A seleção não segue uma ordem cronológica e cria aproximações entre trabalhos que atravessam questões como memória, identidade, permanência e desaparecimento.

O retorno a Bagé acrescenta outra camada à exposição. A cidade, que a partir da década de 1940 se tornou referência para as artes visuais brasileiras com o Grupo de Bagé, formado por artistas como Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves, recebe agora uma produção que observa a paisagem contemporânea e seus processos de transformação. A mostra integra ainda as comemorações dos 30 anos de carreira e 50 anos de vida de André Venzon, celebrados em 2026.

Ao aproximar tempos, materiais e linguagens sem seguir uma ordem cronológica, EXTEMPORÂNEO – Tudo tem o seu tempo propõe ao visitante uma mudança de ritmo e de perspectiva: olhar para a cidade e para o mundo a partir daquilo que a obra de André Venzon desloca, revela e transforma.

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