A Casa de Cultura do Parque apresenta, de 3 de outubro de 2026 a 25 de abril de 2027, a exposição O tudo e o todo, de André Vargas, com curadoria de Claudio Cretti, diretor artístico do espaço.
Nesta edição do Dando Bandeira, projeto no qual artistas são convidados a ocupar a fachada da Casa com obras em formato de bandeiras, André Vargas (Rio de Janeiro, 1986) apresenta O tudo e o todo. Vargas é artista visual, poeta, compositor e educador. Trabalha na retomada de sua ancestralidade como forma de entender as bases das culturas linguísticas, religiosas, históricas e estéticas da brasilidade em que se insere, tendo a cultura popular como a maior indicação desse fundamento.
Na fachada, oito bandeiras, distribuídas em quatro mastros (frente e verso), formam as palavras “TUDO” e “TODO” a partir de paramentas de orixás, enquanto as cores do tecido retomam o cromatismo dessas divindades. A obra articula, de forma sintética, tensões entre totalidade e limite, presença e ausência, ao inscrever essas palavras no espaço como signos linguísticos e ritualísticos. Ao conectar fé, linguagem e poder simbólico, a proposta estabelece uma meditação sobre o infinito e o nada para confrontar as estruturas que oprimem as identidades afro-diaspóricas.
Ainda no dia da abertura, às 16h, André Vargas apresenta a performance Minha cabeça é meu guia, onde, vestido de branco e com a cabeça raspada, o artista envolve o próprio crânio com um extenso colar de contas que representa um orixá ou entidade de devoção. Ao cobrir e depois desfazer esse gesto, instaura uma narrativa cíclica, em espiral no tempo.


