André Hullk | Galeria Alma da Rua

No mês em que é celebrado o Dia dos Povos Indígenas, o artista amazônida André Hullk abre a individual Corpo Território, na Galeria Alma da Rua com obras produzidas com tinta natural feita a partir de terra, proveniente de diferentes lugares do Brasil.

Para essa mostra, o artista manaura desenvolveu dezenas de obras inéditas e nas quais apresenta corpos em deslocamento que carregam consigo seus territórios. Sob a curadoria de Marcelo Rosenbaum, as obras partem de vivências amazônicas e revelam a floresta não como paisagem, mas como presença viva que resiste, se adapta e continua em movimento.

Usando uma técnica inovadora, Hullk utiliza, para a criação de seus trabalhos, terra que se transforma em tinta natural. Provenientes de diferentes cidades pelas quais passou como as terras indígenas Guarani, Ilha de Marajó, cidades mineiras, entre tantas outras, as diversas tonalidades criam cores únicas. Em alguns trabalhos, a matéria-prima é aplicada ao fundo da tela e os traços e as formas das personagens, surgem em tons vibrantes de tinta acrílica, sob o uso de uma espátula.

“Entre rio, concreto e memória, as imagens tensionam a ideia de pertencimento, mostrando que a raiz não é fixa, mas ao contrário, ela caminha, se movimenta. As obras se conectam por uma narrativa comum: a de que o território não é apenas um lugar físico, mas algo que se carrega, se planta e se transforma”, pontua o artista. A exposição propõe um olhar sobre identidade em movimento, onde memória e futuro coexistem no corpo, assim como na obra em destaque “Território nas Costas”. Nela, a figura indígena mostra deslocamento, identidade e o peso do pertencimento, carregando junto ao corpo aquilo que não se abandona. Entre estruturas urbanas e marcas do território, a obra revela o peso e a permanência da origem, mesmo em contextos de deslocamento. “A raiz, aqui, não está no chão, está no corpo”, finaliza André Hullk.

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