ANDRE BALBI | Galeria São Paulo Flutuante

Em 1995, quando conheceu o pintor Andre Balbi, a marchande Regina Boni impressionou-se com seu trabalho e o convidou para expor na Galeria São Paulo, então na Rua Estados Unidos, realizando sua primeira individual. “Passados 26 anos, reencontro um artista mais maduro que imprime em suas telas nuances de erudição que remetem a Matisse e Cézanne, como observa o crítico e professor Agnaldo Farias, a quem convidei para escrever um texto curatorial sobre a estética da obra do Andre e sua evolução profissional, que ele acompanha há muitos anos”, diz. Com curadoria de Regina e de seu sócio, o artista Manu Maltez, a mostra “O que se Vê no Interior da Cordilheira” será aberta ao público em 20 de novembro na Galeria São Paulo Flutuante, onde ficará em cartaz até 22 de janeiro de 2022.

Em relação à escolha das obras para a exposição, Regina conta que foram selecionadas 13 das 30 telas produzidas por Balbi durante a pandemia no sítio em que vive, na pacata cidade serrana de São Francisco Xavier (SP). “Fui até o ateliê dele e fiquei impressionada com a transformação de sua obra. arte. Seus quadros nos impactam por sua beleza”, afirma.

Em texto que analisa a produção artística do pintor, Agnaldo Farias rememora quando foi visitar a primeira exposição individual de Balbi, em 1995. “Era um conjunto de telas de grande formato, entre 1,5 x 2 metros, todas elas versando sobre as montanhas de São Francisco Xavier, para onde ele havia se mudado um pouco antes, do outro lado da Mantiqueira, onde nasceu. Essa mudança levou-o para dentro da montanha e, de certo modo, para dentro da sua infância. As telas expostas na mostra de 1995 eram bucólicas, mas explosivas, combinando gestos amplos e desatados com laivos de cores muito vívidas, na esteira do que era típico da produção neo-expressionista daquela época, mas com lastro evidente de mestres como Matisse e Miró que ele sempre estudou. Some-se a esses dois a figura de Cézanne, que deixo por último para lembrar a importância da Montana Santa Vitoria para sua obra, e para que se possa pensar o peso que certas experiências podem exercer sobre nós, como a Mantiqueira”, afirma.

Em relação à nova exposição, igualmente com obras de dimensões aproximadas às de 26 anos atrás, Agnaldo Farias diz que o acervo reunido é radicalmente diferente do que foi exposto em 1995. “Se as de antigamente surpreendiam pela força das cores e gestos, as de agora são pinturas leves, calmas e diáfanas, com verdes, amarelos, marrons e azuis lavados, quase transparentes. Há vacas, há cercas e sempre o céu azul da cordilheira, às vezes beirando a intensidade de um azul-turquesa, no geral esmaecido, delicado como o azul-piscina das aquarelas, em qualquer caso sendo filtrado pelas copas das árvores, como um vitral de borrões coloridos”, avalia.

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