Ana Maria Tavares | Silvia Cintra + Box 4

É com imenso prazer que apresentamos a quarta exposição individual de Ana Maria Tavares na Galeria Silvia Cintra + Box 4. Naturalítica e Hierbabuenas abre ao público no dia 29 de novembro, das 19h às 22h. Nesta mostra especialmente pensada para a galeria, a artista inventa uma paisagem artificial a partir da ampliação microscópica dos granitos. Expande ainda mais o vocabulário de suas intervenções, trazendo para a exposição uma oposição curiosa. De um lado, a natureza das pedras transformada em um fenômeno relativo ao fogo, próprio dos magmas, toma corpo para falar de uma visão do futuro que se aproxima, das calamidades do aquecimento global, sem dar lugar ao pessimismo. Em suas visões, a natureza – feita de granito, acrílico, aço inox polido ou colorido, e fotomontagens digitais – se regenera e é marcada por uma paleta ainda mais radical, a qual transforma o granito original em campos horizontais de aparência ardente e líquida.

 

De outro lado, as Hierbabuenas – uma espécie de vegetação-luz, feita em acrílico cristal e aço inox multicolor – apresentam o frescor e a potência de uma natureza ainda viva e autorregulada, que se espalha e ocupa desordenadamente o espaço das paredes. Tavares parte de processos digitais, da produção industrial e da artesania, mesmo que com materiais industriais, criando campos perceptivos a partir da transformação da matéria do granito sólido em um fluxo líquido semelhante aos movimentos magmáticos. A união do aço inox colorido e do acrílico cristal resulta em formas que simulam uma espécie de vegetação que remete inevitavelmente ao mundo submarino. Juntos, pedra, fogo e água, são elementos inaugurais no contexto do trabalho da artista, potencializados aqui pelas associações de materiais e formas presentes em cada trabalho.

 

O conjunto de obras apresentado conta ainda com a presença de peças inéditas da série “Disjunção Prismáticas”, iniciada em 2018, onde os materiais são conformados em módulos regulares dispostos lado a lado para construir um contexto de analogias e contrastes entre elementos da natureza e aqueles beneficiados pela indústria. A artista arquiteta o encontro de distintos materiais numa composição ritmada de obras que perfazem um caminho horizontal, ao nível dos olhos, lembrando que toda vista é apenas um fragmento e recorte temporal de um mundo inventado. Como sempre os trabalhos de Ana Maria Tavares exigem muito do sujeito e, neste caso, o movimento dos olhos e do corpo do observador é colocado em alerta: é preciso se aproximar muito das obras a fim de perceber as sutilezas de um universo microscópico e desconhecido que se apresenta e se escondem nas obras.

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