Ana Maria Maiolino | MASP

Um dos nomes mais importantes da cena contemporânea brasileira, a artista multimídia Anna Maria Maiolino (Scalea, Itália, 1942 – vive em São Paulo) ganha uma retrospectiva de sua obra no MASP. A Sala de Vídeo: Anna Maria Maiolino, com nove trabalhos da artista, abre ao público no dia 23 de agosto, ao lado das coletivas Histórias das mulheres e Histórias feministas, ligadas ao eixo curatorial que pauta a programação do museu neste ano, Histórias das mulheres, histórias feministas.

Com curadoria de Horrana de Kássia Santoz, assistente curatorial do MASP, a mostra apresenta os nove títulos selecionados em três telas: duas laterais, com trabalhos dos anos 1970-1980, e uma central, com trabalhos dos anos 2000, criando uma espiral de acontecimentos. Os trabalhos dos anos 1970 têm em comum o Super 8, formato adotado por diversos artistas da época, porque, além de permitir maior experimentação, cria diálogos com o cinema e a fotografia, entre outras linguagens. “Eu fiz uso do Super-8 porque tinha necessidade de experimentar”, diz a artista Anna Maria Maiolino.

Os vídeos dos anos 1970 também têm em comum a ditadura militar como pano de fundo. A repressão, o silenciamento, a tensão, bem como o conflito e o clima de guerra — que Anna Maria viveu na infância, na Itália — perpassam a obra da artista. Em In-Out (Antropofagia), o primeiro filme da mostra, uma câmera focaliza duas bocas alternadamente. O vídeo, feito entre 1973 e 1974, inicia com uma boca tapada como um gesto de censura. Em X (1974), um olho coberto com renda preta ocupa toda a tela. Em outro recorte, veem-se tesouras e gotas de sangue pelo chão branco.

Outros vídeos, como Um tempo (uma vez), feito entre 2009 e 2012, e Aos quatro ventos, produzido entre 2001 e 2011, revelam outra característica da criação da artista: o peso maior dado ao processo do que à obra em si. Maiolino não tem pressa de terminar um vídeo, pode levar anos para concluir um trabalho. ”Posso começar um vídeo e pausar o trabalho, à espera de algo. A arte é, para mim, um meio de obter autoconhecimento”, conta a artista, que por vezes trabalha a partir de escritos poéticos de próprio punho.

Para a curadora da mostra, é notável como a palavra, o tempo e o silêncio se tornaram matéria-prima para Maiolino. “Boa parte dos filmes e vídeos recorrem ao enquadramento em close up de partes do corpo, como as mãos, os olhos, a boca, que enfatizam a narrativa política e histórica, reforçado por um elaborado trabalho de edição, seus cortes, montagens e trilhas”, diz Horrana de Kássia Santoz.

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