Ana Elisa Egreja | Galeria Leme

Ana Elisa Egreja, Sala florida, 2021 | Óleo sobre tela, 180 x 270 cm | FOTO: Felipe Berndt

“Em conjunto recente de pinturas, Ana Elisa Egreja dá seguimento ao programa artístico que possui já década e meia, ainda que continuamente altere algo nele ou expanda suas bordas, tornando-o mais denso e largo. A cada movimento feito, coloca-se diante de desafios antes ausentes ou que careciam, no passado, de urgência de enfrentamento. Em sua obra, as coisas permanecem e mudam; estão lá e se ausentam. Nela, não há desvio dos paradoxos eventualmente encontrados, mas o cultivo deliberado deles” – Moacir dos Anjos

Conhecida por suas pinturas em óleo sobre tela, a artista traz para a exposição ˜Fazer realidade˜ sua produção mais recente, composta por sete grandes telas e um conjunto de 42 pinturas circulares, em pequeno formato, todas inéditas. A mostra permanece em cartaz na Galeria Leme de 18 de setembro a 06 de novembro de 2021 e conta com texto crítico do curador Moacir dos Anjos.

Em seu corpo de trabalho, assim como nas obras apresentadas na mostra, Ana Elisa pesquisa os gêneros da pintura Interior e Natureza Morta, retratando ambientes domésticos de forma virtuosa. São salas, cozinhas, mesas e janelas, repletos de objetos do cotidiano, como pratos, utensílios, frutas e verduras, nas quais a memoria afetiva se mistura às referências da história da arte e da arquitetura.

Ao mesmo tempo, nesse conjunto de trabalhos, a artista expande seu vocabulário particular, tanto na riqueza das pinceladas e exercício da pintura, quanto no que diz res­­peito ao contraste entre realidade e fantasia das imagens representadas.

“Uma das características do trabalho da Ana Elisa é que aquilo que ela nos apresenta como realidade é, na verdade, uma colagem de imagens. Nessa combinação, ela adiciona detalhes, muitas vezes animais, que se intrometem nesse suposto realismo, gerando um curto circuito na realidade˜, pontua o curador Moacir dos Anjos.

Aprofundando seu interesse pela pintura e suas possibilidades, Ana Elisa ressalta que, em seus trabalhos mais recentes, têm se intensificado uma experimentação com relevos: “Em outros momentos da minha produção, o meu interesse já se voltou para a escala, para os vidros, para as luzes na cena, para contar a história de uma casa específica. Agora estou obcecada pelo relevo e pela textura. Estou trabalhando com mais tinta do que costumava trabalhar, tentando controlar os volumes e testar os limites da tinta óleo no tipo de representação que me proponho em fazer”, destaca a artista.

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