Ana Amélia Genioli e Daisy Xavier | Galeria Eduardo Fernandes

A galeria apresentará, em ambientes distintos, trabalhos de duas mulheres que possuem trajetórias sólidas e vasta produção. No espaço da Rua Harmonia, a artista Ana Amélia Genioli exibirá a exposição Intempéries que apresenta vinte novos trabalhos que surgiram de um estudo sobre a obra “Metamorfoses”, do filósofo italiano Emanuele Coccia. “Desde 1998 o trabalho de transformação está presente na minha produção. As técnicas foram mudando ao longo do tempo, mas esta pesquisa permeia todo o meu trabalho”, explica a artista que recentemente apresentou uma individual no MI-LAB Mokuhanga Innovation Laboratory, no Japão e participou de uma residência na Islândia.

Em Intempéries, o processo de transformação “permanente e sem fim” fica evidente e é representado em trabalhos de grande formato realizados sobre papel e com o uso de pigmentos naturais – cuidadosamente preparados pela artista. As obras são acompanhadas por pequenos casulos que estão pendurados pelo salão – pequenas criações da comunidade indígena colombiana Kogi que fazem parte da expografia.
Além dos trabalhos expostos na galeria, obras que contam a história da carreira de Genioli – como uma metamorfose contínua – estarão presentes no ateliê da artista, instalado na Rua Matheus Grou. Neste caso, o público poderá participar de uma experiência completa (mediante agendamento), visitando o núcleo histórico da exposição, conhecendo o ateliê e explorando os processos de criação, que têm o acompanhamento do curador Talisson Melo. Para a artista, observar os trabalhos desta individual (obras realizadas em mais de três décadas, além de criações inéditas, concebidas especialmente para esta mostra) pode funcionar como um íntimo exercício de reflexão e diálogo com as mudanças de ambiente, de matéria, de linguagem, de técnica e de forças que reconfiguram constantemente a vida. “É preciso perceber a metamorfose, ou ela te come”, finaliza Ana Amélia.
“Prima Matéria”, de Daisy Xavier
A mistura do requinte do linho com a delicadeza de elementos mais fluídos, combinados a tinta óleo, resultam em sobreposições com uma variação de cores que evidenciam um trabalho figurativo, causando um certo “estranhamento” no observador. Em tempos de IA e fake news – em que distinguir o que é real do que é artificial pode ser um desafio até para os mais especializados – o objetivo de Xavier é causar esta estranheza em relação a natureza. “O meu foco não foi copiar a natureza e sim realizar uma experiência que tenta provocar o público a criar uma indiferença entre o que é natural e artificial, ou ainda, do falso para o verdadeiro”, explica a artista que realiza uma pesquisa há mais de oito anos embasada nos versos do poeta pós-modernista Armando Freitas Filho, escritor que abordou a mutabilidade e o deslocamento da natureza em suas obras. Para Daisy – que leva em seu currículo duas indicações ao Prêmio Pipa (2010 e 2019), outras características da produção apresentada são a continuidade, a conectividade e a comunicação entre as formas. Tudo com muita leveza e uma paleta vibrante.
A “Galeria Eduardo Fernandes” está instalada na Rua Harmonia, 145 e na Rua Medeiros de Albuquerque, 442, ambos endereços na Vila Madalena. As visitações são gratuitas.

Contato e agendamento: +55 11 3812 3894 / +55 11 3032 6380

Visitações no ateliê de Ana Amélia Genioli – com agendamento:
7/03 – das 11h às 14h
19/03 – das 18h às 21h
09/04 – das 18h às 21h
18/04 – das 11h às 14h
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